Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/09/2019

Durante o século XX, ocorreu a Revolução Técnico Científico Informacional, que permitiu um enorme desenvolvimento do setor de tecnologia e comunicação. Entretanto, essa evolução também gerou impactos negativos, como a Cibercondria, que é a hipocondria causada pela internet. Tal mazela se perpetua, principalmente, devido à Globalização e a carência de tempo.

Em um primeiro plano, é possível perceber que a Mundialização intensifica a Cibercondria. O geógrafo Milton Santos afirmou que “a Globalização é uma máquina de perversidade”. Analogamente à tese, percebe-se que este sistema mundial estimula o desenvolvimento da tecnologia, o que permitiu o fácil acesso a qualquer tipo de informação, inclusive aquelas relacionadas à medicina. Esta evolução permitiu que internautas leigos se autodiagnostiquem baseados em dados que muitas vezes são falsos ou compreendidos de forma inadequada. Dessa forma, o modelo de integração global acentua a hipocondria associada à internet.

De forma análoga, vale destacar que a carência de tempo facilita a ocorrência da Cibercondria. Segundo o sociólogo Arthur Schopenhauer, “o maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem”. A partir desta afirmação, verifica-se que os indivíduos cometem incorreções ao priorizar o trabalho ao invés do próprio bem-estar. Tal mazela ocorre devido  à necessidade de desenvolvimento econômico  que estimula os cidadãos a passar a maior parte da vida no labor, o que suscita falta deste recurso  temporal para o cuidado com o corpo. Sendo assim, grande parte da sociedade prefere se automedicar a partir de informações  encontradas na internet ao invés de procurar um especialista da medicina, opção mais demorada, mas que também é mais segura.

Torna-se evidente, portanto, a importância de se combater a Cibercondria. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio de verbas governamentais, realizar campanhas de conscientização nos meios de comunicação que demonstrem os perigos de confiar em informações da internet relacionadas à saúde, com o objetivo de mitigar o autodiagnóstico. Junto a isso, urge que o mesmo órgão governamental, por meio da criação de um projeto de lei, impeça a venda de qualquer remédio sem prescrição médica, a fim de evitar a automedicação. Dessa forma, a sociedade tornar-se-á mais consciente, com o propósito de extinguir a Cibercondria.