Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/10/2019

Autoavaliação médica e seus fatores agravantes

No século XXI, a internet trouxe benefícios em várias áreas da humanidade facilitando o acesso à informação em qualquer hora ou lugar sobre o mais variado assunto, porém esse acesso sem discernimento para a realização de “consultas” médicas virtuais pode ser um grave problema.O elevado preço de consultas médicas em hospitais particulares, a demora no atendimento no sistema único de saúde e a desinformação da população quanto à variedade de doenças com sintomas semelhantes, porém com riscos a saúde diferentes propiciam um cenário ideal para o aumento da cibercondria.

Em primeiro plano, verifica-se que há uma supervalorização no preço de consultas médicas o que agrava o problema.Um processo que começa antes mesmo da formação do médico, segundo pesquisa feita pela USP 53% dos calouros ingressando já estão no segundo ano de tentativa do vestibular devido à alta concorrência no certame, após isso são mais cinco anos de graduação e entre um a quatros anos de residência processo esse bastante oneroso para os universitários.Sob esse viés, o altíssimo tempo para a formação deste profissional da saúde somado com o elevado custo de manutenção do mesmo durante esse período e aliado a outros fatores gera sobrevalorização nos preços de consultas as quais grande parte da população não tem condições de custear, acentuando o problema.

Concomitantemente a essa dimensão médica, quando São Tomás de Aquino diz que todos os indivíduos de uma sociedade democrática tem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres, corrobora-se a necessidade de que todos cidadãos tenham um atendimento de saúde igualitário e de qualidade.Contrariamente a essa lógica, a saúde brasileira por meio do SUS(sistema único de saúde) leva em média dois anos para liberar resultados de alguns tipos de exames laboratoriais de pacientes que necessitam do programa governamental segundo pesquisa feita pelo Datafolha. A demora nos resultados médicos aliado à desinformação da população quanto ao número de doenças com sintomas semelhantes, mas com riscos diferentes fomenta a busca na internet por soluções caseiras ou a automedicação.

Destarte, para que haja redução deste tipo de conduta por parte da população, é necessário que o ministério da saúde faça um programa que forneça incentivos fiscais para médicos de clinicas particulares que cobrarem preços menores de pessoas de comprovada baixa renda, e , juntamente, com apoio da prefeitura realize convênios mais eficientes com laboratórios particulares.Em adição, o Estado deve divulgar cartilhas e propagandas por meio de redes sociais orientando a população sobre os riscos da autoavaliação médica e automedicação diminuindo o índice de pessoas com cibercondria.