Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 28/09/2019
O termo cibercondria, resultante da união das palavras ciber e hipocondria, designa a crença na qual uma pessoa acredita ter uma doença grave mesmo sem possuir um diagnóstico oficial, pois se baseia apenas em pesquisas na Internet para “confirmar” sua enfermidade. Entretanto, é possível afirmar que a hipocondria digital é extremamente perigosa, não só por estimular a automedicação, mas também por prejudicar a relação destas pessoas com profissionais da saúde.
A priori, a hipocondria digital é um fator que pode contribuir para o crescimento nos índices de automedicação. Segundo pesquisas do Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, mais de 30% da população utiliza sites de busca para pesquisas relacionadas à saúde. No entanto, a partir do momento em que muitos sites não possuem informações completamente confiáveis, estas pesquisas são perigosas para pessoas que possuem hipocondria, uma vez que elas sustentam sua crença de possuir uma doença grave. Nesse sentido, estes pacientes também acabam pesquisando tratamentos para a suposta doença e são favorecidos por dados como o do Conselho Federal de Farmácia, que afirmam haver uma farmácia para cada 3300 brasileiros, drogarias nas quais cidadãos encontram facilidade em adquirir analgésicos sem receita para praticar a automedicação.
Ademais, a cibercondria é capaz de prejudicar a relação entre paciente e médico. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Google, 26% dos brasileiros recorrem primeiro a sites de busca quando suspeitam ter um problema de saúde. Contudo, os cibercondríacos são pessoas que ficam obsessivas a partir de resultados de pesquisas digitais que “confirmem” a ideia de que possuem uma doença grave. Desse modo, quando estas pessoas vão se consultar com um profissional, elas já vão com a certeza de que possuem a enfermidade indicada nas pesquisas e apenas querem uma confirmação do que já “diagnosticaram” e, quando recebem um resultado diferente daquele que esperavam, desconfiam das habilidades do doutor. Todavia, embora o site possa fornecer informações confiáveis, o paciente não possui a habilidade médica de interpretar os sintomas em relação a diversas variáveis.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o Ministério da Saúde faça parcerias com os canais de televisão aberta e, por intermédio de verbas governamentais, inicie a produção de campanhas de conscientização que informem sobre os riscos da automedicação, sobre as inúmeras doenças que podem manifestar sintomas semelhantes, sobre a importância da consulta médica antes de qualquer autodiagnostico, e que sejam exibidas em horário nobre. Nesse sentido, o objetivo desta ação é fortalecer a relação de confiança necessária entre os cidadãos e os profissionais de saúde, que estudaram por anos para utilizar seu conhecimento a favor da saúde de seus pacientes.