Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 02/10/2019
A série americana “Todo Mundo Odeia o Chris”, conhecida normalmente pelo caráter de crítica social, apresenta, em um dos episódios, a personagem Rochelle, que atribui a qualquer problema de saúde o uso de um xarope para qualquer alteração no organismo da família. Nesse viés, análogo ao supracitado, a sociedade contemporânea alicerça a solução de complicação da saúde na pesquisa virtual de possíveis doenças de acordo com sistemas expostos, sobretudo pela necessidade do imediatismo e a desvalorização do sistema de saúde, o que se mostra um problema social a ser modificado, sob pena de graves prejuízos aos indivíduos.
Primeiramente, convém pontuar os impactos da revolução tecnológica, no tocante à expansão do acesso informacional no mundo globalizado. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirmou em sua obra, " Modernidade Líquida", que o individualismo é caráter preponderante na sociedade, enquanto as relações interpessoais estão, cada vez mais, fragilizadas. Nesse contexto, embora o advento da World Wide Web tenha revolucionado os meios de comunicação, a ilusão contemporânea do conhecimento a um clique se sobressai, de modo a possibilitar a hipocondria digital, obsessão com a ideia de ter um problema médico grave, cujo diagnóstico se baseia no chamado “Dr. Google” com a presença de sites sensacionalistas e o apego ao senso comum.
Outrossim,percebe-se a desvalorização da ciência configura-se obstáculo à atenuação da cibercondria.Nesse sentido,a falta de investimento no sistema público de saúde do país reflete na precariedade estrutural das unidades e, por conseguinte,o atendimento incompleto do paciente, tomado o tempo exaustivo de espera e a irregularidade do diagnóstico leva-o a tirar suas próprias resoluções no ambiente virtual, de fácil acesso a conteúdos,sejam verdadeiros ou falsos.Ademais, conforme pesquisa da empresa norte americana Google,26% dos brasileiros recorrem primeiramente ao serviço de pesquisa virtual ao se deparar com um problema de saúde, de modo que enquanto a prioridade online estiver em evidência,o Estado terá que conviver com o transtorno da era digital: a cibercondria.
Nota-se,portanto,que a primordialidade de ações governamentais que visem atenuar a problemática. Para isso,cabe ao Ministério Público Federal,junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia,inserir no ensino público o funcionamento das redes mundiais de comunicação e seus impactos: acesso livre as informações,muitas fake news,de modo a combater o sensacionalismo de sites e vídeos sobre a saúde do indivíduo que busca o diagnóstico preciso,contudo pautado no direito ilusório a conteúdos.Além disso,o governo,com o Ministério da Saúde,deve promover campanhas,em pontos estratégicos das unidades básicas,o tratamento da cibercondria,de maneira a garantir a saúde constitucionalmente.