Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/10/2019

A cibercondria é caracterizada como uma compulsão na qual indivíduos buscam  na Internet informações sobre seu estado de saúde. Nesse sentido, segundo o site Exame, cerca de 26% dos brasileiros recorrem inicialmente a plataforma Google para buscar diagnósticos que expliquem os sintomas apresentados e seus possíveis tratamentos. Se por um lado, essa grande busca é justificável, visto que o Brasil apresenta sérios problemas no sistema básico de saúde público e privado; por outro lado, o auto-diagnóstico e a consequente auto-medicação apresentam sérios riscos à saúde.

Em virtude dessa doença moderna, tem-se espalhado diversas “fake-news” sobre tratamentos alternativos sem comprovação científica e com riscos do agravamento do quadro clínico dos indivíduos. O glúten, por exemplo, tornou-se a causa de todos os males humanos, tirá-lo da dieta significaria a cura de diversas doenças auto-imunes. Essa e outras crenças sobre saúde vem sendo desmentidas por profissionais (médicos, nutricionistas, dentistas etc) comprometidos com a ciência na própria Internet, em iniciativas como o perfil do Instagram “Saúde Honesta”.

Sendo assim, de maneira geral, as pessoas buscam por soluções milagrosas, almejam o que o defunto autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas chamou de “Emplastro anti-hipocondríaco”, a cura para todos os males do homem, uma mesma solução para unha encravada e depressão. Logicamente, isso não é possível. Ao contrário, o tratamento adequado a cada doença não é milagroso e geralmente está associado a mudanças no estilo de vida, além disso só pode ser receitado por um profissional de saúde habilitado pelo seu respectivo conselho de classe, e deve basear-se em ciência.

Entretanto, há quem busque diagnósticos na rede por falta de outra alternativa. Segundo o SPC, Serviço de Proteção ao Crédito, 70% dos brasileiros não tem plano de saúde e o SUS, Sistema Único de Saúde, não consegue atender em tempo hábil tão alta demanda. No mesmo sentido, 45% dos pacientes ouvidos em uma pesquisa da Data Folha admitiram que estão esperando há mais de seis meses uma consulta com especialista no SUS. Nesse meio tempo, as possibilidades existentes podem se resumir a pagar uma consulta particular ou recorrer ao Dr Google.

Portanto, um medicamento para cibercondria pode estar na fonte de sua causa: o meio digital e a internet. Nesse sentido, o Ministério da Saúde em parceria com o Google poderiam criar um aviso que seria emitido a cada pesquisa sobre doenças e tratamentos. Nesse alerta seria exposto os riscos do tratamento inadequado e a indicação da unidade de saúde pública mais próximo do local da busca por meio de mecanismos de localização, estimulando assim a consciência crítica das pessoas e a responsabilidade sobre possíveis danos causados por tratamentos inadequados.