Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 30/09/2019
“O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapasse a própria existência. No entanto, essa máxima não é observada no Brasil por parte da população que recorre à internet na procura de diagnósticos e tratamentos para seus problemas de saúde. Diante disso, as facilidades advindas com a globalização e os obstáculos da vida moderna, configuram-se como agentes agravantes da situação atual.
Em primeiro plano, é preciso atentar para o desenvolvimento técnico-cientifico proporcionado pela Terceira Revolução Industrial, que promoveu diminuição das distâncias ao conectar várias partes do globo por meio da internet. Entretanto, a globalização não trouxe somente benefícios, visto que, possibilitou à milhares de indivíduos a negligência da busca por atendimento médico devido ao uso de ferramentas de pesquisa. De acordo com levantamento do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), mais de 40% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet. Logo, tal comportamento por parte do usuário, mesmo que munido de boa intenção, pode acarretar em danos ao organismo e se enquadrar no que a socióloga Hannah Arendt chamou de banalização do mal: o ser humano é capaz de realizar ações destrutivas mesmo sem qualquer intenção maligna.
Ademais, conhecer os motivos que fazem muitas pessoas recorrerem à internet e não a um hospital é fundamental para tornar a situação menos caótica. Logo, dentre os fatores desestimulantes, pode-se citar a falta de tempo do “homem moderno” para enfrentar as burocracias das instituições de saúde, por exemplo, demora no atendimento ou requisição de documentos específicos, fortes elementos repulsivos nos dias atuais. Segundo professores do Instituto de Psicologia da USP, atualmente o ser humano tem a impressão de que 24 horas passam num “piscar de olhos”. Sendo assim, a facilidade que a internet trás ao possibilitar que dúvidas sejam esclarecidas em questões de minutos, contribui para a permanência da chamada cibercondria.
Fica evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que alterem este cenário, tais como: a divulgação de propagandas em todos os meios de comunicação, realizadas pelo Governo Federal por meio de seu órgão oficial de publicidade (SECOM), que alertem a população dos perigos que o autodiagnóstico e automedicação pode trazer à saúde, com foco nos fatores que conduzem ao erro na pesquisa por conta própria, para provocar o sentimento de medo e induzir o interlocutor a não praticar tais ações. Assim será possível conscientizar a sociedade e evitar que hábitos destrutivos aconteçam, para que, deste modo seja feito jus ao legado de qualidade de vida proposto por Platão.