Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 14/10/2019
Segundo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, estamos perdendo a capacidade de estabelecer interações espontâneas com pessoas reais. Análogo a esse raciocínio, tem-se a Cibercondria como a fuga de interações sócio-médicas e a busca de informações de forma autosuficientes, embora erroneamente e por vezes prejudiciais, com riscos a saúde e à vida. Logo, medidas devem ser tomadas para solucionar essa problemática.
A ineficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) e a urgência de atendimento médico, são fatores que corroboram para a busca independente de informações diagnósticas e tratamentos sem critérios médicos. Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATOX) da Unicamp, em 2017 as intoxicações por consumo de medicamentos representaram cerca de 33% das ocorrências. Assim, percebe-se o grau de risco ao qual as pessoas estão expostas ingerindo medicamentos sem acompanhamento médico.
Ademais, a facilidade de comprar medicamentos em farmácias, sem a devida prescrição médica, reforça ainda mais a conduta inadequada dos cibercondríacos. A legislação atual não prevê a apresentação de receitas para compra de medicamentos, como analgésicos/antitérmicos, bem como anti inflamatórios e antigripais, dentre outros. Entretanto, dados da Associação Brasileira da Industria de Medicamentos Isentos de Prescrição (ABIMIP), apontam que estes medicamentos, representam 31% das vendas do mercado farmacêutico.
Portanto, é mister que o Estado forneça soluções para o quadro atual. Urge que o Ministério da Saúde aprimore os atendimentos no SUS de forma mais eficaz, e em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, façam campanhas na mídia, por meio de publicidades que sensibilizem e estimulem a consulta médica, alertando quanto ao uso indiscriminado de medicamentos e possíveis intoxicações. Assim, poderá ocorrer a reversão da Cibercondria e uma reaproximação social proposta por Bauman.