Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 04/10/2019

Após a Revolução Técnico-Cientifica-Informacional, ocorrida na segunda metade do século XX, inúmeras inovações tecnológicas foram adicionadas ao âmbito social. Nessa perspectiva, a internet, como parte desse processo, pode potencialmente se tornar uma geradora de doenças neurológicas, por exemplo, a cibercondria, hipocondria desencadeada por pesquisas na web. Dessa forma, pode-se compreender que a insuficiência do sistema de saúde brasileiro e a alta propagação informações falsas e/ou não constatadas cientificamente são fatores acentuadores da problemática.

Em primeiro lugar, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, consta como direito fundamental o direito à saúde, entretanto, o que acontece no Brasil é totalmente o oposto: hospitais em péssimas condições, superlotados e até mesmo insalubres. Estas, tornam-se situações cotidianas que distanciam cada vez mais a população, principalmente de baixa renda, das instituições de saúde. Dessarte, tal negligência estatal é responsável pela alta automedicação concomitantemente a cibercondria, assim, prejudicando o bem estar de muitos cidadãos coexistentes na estrutura social.

Ademais, para o filósofo Immanuel Kant, indivíduos devem agir com objetivo de que suas ações se tornem lei universal, assim, se todos propagassem informações falsas isso abalaria o funcionamento da sociedade, portanto, configurando-se uma ação errada. Seguindo a linha de raciocínio do teórico, a propagação de “fake news” sobre saúde é algo inaceitável e antiético, logo, deve-se combater e punir quem propaga esse tipo de informação.

Contudo, é necessário que se tomem medidas para a mitigação da cibercondria através da iniciativa do Ministério da Saúde, juntamente com hospitais e potencialmente com ONG’s para, dessa forma, punir disseminadores de “curas milagrosas” nas redes e, de maneira paralela, promover campanhas de conscientização à população por meio da mídia, a fim de que, cesse o aumento da patologia neurológica da modernidade.