Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/10/2019

Na clássica obra de literatura infanto-juvenil “O Pequeno Príncipe”, o francês Antoine de Saint-Exupéry narra como uma criança modifica a maneira como um- literalmente- perdido adulto enxerga o mundo, fazendo-o notar que “o essencial é invisível aos olhos”. Transpassado o contexto ficcional, os olhos do Brasil hodierno torna-se invisível a cibercondria como uma doença da era digital, causada, principalmente, pelo bombardeamento de informações disponíveis na internet que pode gerar outras enfermidades, e por consequência o autodiagnóstico e a automedicação com base em informações supérfluas.

Primeiramente, cabe ressaltar que a hipocondria- crença infundada de que sintomas comuns podem indicar uma doença mais grave- já criava problemas expressivos aos pacientes e aos profissionais de saúde, agora com o advento da internet a cibercondria torna mais grave o impasse. Consoante o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as redes sociais e o mundo conectado são uma armadilha. Dessa forma, o acesso a centenas de informações pode acarretar ainda mais adversidades como ansiedade e depressão.

Ademais, a pessoa que está ansiosa a saber mais sobre suas possíveis doenças procura por seus sintomas na rede, o que leva ao autodiagnóstico e a automedicação com base na informação, nem sempre verdadeira, obtida no mundo virtual. Sob a perspectiva de Zygmunt Bauman, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. De maneira análoga percebe-se que o uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que sua utilização inadequada pode esconder determinados sintomas.

Destarte, é indiscutível que a cibercondria é um problema e que medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Governo Federal, juntamente com a mídia, deve promover propagandas nas redes sociais e TV, diariamente, ministradas por médicos e psicólogos, sobre os efeitos da cibercondria, para que a população possa procurar um especialista antes de tomar decisões precipitadas e baseadas em conteúdos supérfluos. É necessário uma maior restrição à venda dos medicamentos, assim, o Ministério da Saúde, de promover uma rigorosa supervisão sobre a venda de diversas classes de medicamentos, pois todos eles, inclusive aqueles de venda livre, não podem ser consumidos sem controle, além disso, a população precisa ser informada, por meio de palestras nos postos de saúde, conhecer os riscos relacionados aos medicamentos e, sobretudo, ter a oferta de um sistema de saúde adequado que leve ao paciente procurar pelo médico, e não pelo medicamento. Com tais implementações, o problema poderá ser uma mazela passada na História brasileira.