Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/10/2019

Hipocondria virtual

A hipocondria é uma patologia psicológica em que o paciente possui uma preocupação obsessiva acerca do próprio estado de saúde, mesmo sem muita das vezes ter nenhuma doença diagnosticada. Ao trazer esse conceito aos dias atuais e unir tal doença com a facilidade de coletar informações pela internet, há a origem de um novo termo, a chamada Cibercondria, que é quando a pessoa hipocondríaca usa as ferramentas de pesquisa virtual para obter dados relacionados a determinados sintomas. A cibercondria é capaz de gerar problemas relativos a dois comportamentos antagônicos: a supervalorização e a subestimação de sintomas.

Primeiramente, a fim de entender as complicações causadas pelo julgamento errôneo do valor de uma doença, é preciso entender que na Internet é possível encontrar inúmeros dados associadas a diferentes enfermidades. Com isso, uma pessoa que não possui a capacidade de filtrar informações pode se enganar e chegar a conclusão de que está sofrendo uma doença mais ou menos grave que o real e desse modo age de forma incorreta, recorrendo a práticas como a automedicação ou até mesmo a contestar o diagnóstico de um profissional médico por confiar mais no que leu virtualmente.

Sendo assim, é importante analisar os impactos gerados pela Cibercondria, sabendo que existe uma diferença entre os “cibercôndricos” que supervalorizam os sintomas e outros que subestimam. Dentre os que aumentam o real valor dos sintomas, a atitude mais comum é a automedicação, que pode ter como uma das consequências diretas a seleção natural de organismos mais resistentes, o que pode agravar doenças que antes não eram críticas. Já em relação aos que leem algumas informações equivocadamente e pensam que os seus sintomas correspondem a alguma doença mais branda que o real, eles acabam sendo negligentes e se recusam a consultar um médico. Dessa forma, sua enfermidade pode evoluir para um caso mais grave e dificultar uma recuperação.

Portanto, a Cibercondria caracteriza-se como uma das doenças da contemporaneidade, por tratar-se de uma doença da era digital. Tendo como objetivo sua erradicação, é preciso que órgãos competentes como o Ministério da Saúde realize campanhas de esclarecimento nas próprias mídias virtuais que expliquem a importância de um diagnóstico realizado pelo profissional com diploma realizando um diagnóstico pessoalmente. Além disso, é interessante também que os próprios médicos orientem seus pacientes a sempre realizarem consultas periódicas e a confiarem na opinião de um profissional em primeiro lugar. Não se trata de censurar a pesquisa na internet, e sim incentivar que a opinião do profissional capacitado seja a mais relevante diante de tantas informações obtidas na rede.