Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/10/2019

O perigo da prática de automedicação não é novidade a comunidade científica mundial, entretanto com o avanço da globalização e a popularização da internet como meio de informação, o risco tornou-se ainda mais evidente, tendo em vista que qualquer um que possua acesso a rede mundial de dados pode pesquisar seus sintomas e terá respostas as quais podem, por vezes, estar equivocadas. Nesse contexto, surge um novo problema para a comunidade médica, a chamada “cibercondria”, prática de automedicação e autodiagnóstico com o auxílio da internet, este mal está amplamente conectado a ansiedade e pode prejudicar a relação médico-paciente.

Em primeiro plano, pode se analisar que a hipocondria, estado em que o indivíduo apresenta excessiva preocupação com sua saúde já não é novidade, e esta se relaciona a quadros de ansiedade que podem gerar o uso de medicamentos por conta própria como se fosse um especialista, em conformidade aos estudos do psicólogo David Dunning, o chamado “Efeito Dunning-Krueger” consiste no fato de um indivíduo sentir que é mais preparado a tratar de um tema que um especialista. No contexto do século XXI, a medicina da relevância ao tema pela ampla difusão de informações médicas pela internet, tais informações que podem corroborar coma proliferação de superbactérias, e outros males, o uso dessas informações denota grave problema social em que existem falsos especialistas em detrimento a verdadeiros médicos, situação impeditiva a criação de uma população verdadeiramente saudável.

Além disso, o “Dr. Google” dificulta na relação dos profissionais da saúde com o seu público, sobre isto o filósofo francês Michel Foucault defendia que toda a linguagem é capaz de influenciar atitudes e comportamentos. As relações médicas atuais encontram-se abaladas, visto que as pessoas comuns que já se consideram especialistas emergem em suas convicções adquiridas por meio de conteúdos persuasivos, e desconsideram as falas dos verdadeiros detentores do conhecimento, tais convicções abalam a ordem necessária para o bom funcionamento das instituições, e por fim é sustentáculo a esquemas de falsas informações.

Tendo em vista os argumentos apresentados, o Ministério da Ciência,  deve, em parceria com o Ministério da Saúde, investigar os principais sites de informações médicas na internet, instituindo selos de autenticidade e congruência das informações apresentadas, para assim diminuir o risco de informações falsas e imprecisas. Já os Conselhos Regionais de Medicina, devem disponibilizar um canal de comunicação direta em sítios online, utilizando-se de bate-papos 24 horas, para que médicos atendam primariamente o público, visando à utilização correta destes meios essenciais ao mundo.