Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 30/09/2019
Bolha de angústia pessoal
No documentário americano “Take your pills”, é retratado o cotidiano de diversos jovens dos Estados Unidos que tomam remédios como Ritalina e Adderall - usados no tratamento de déficit de atenção e hiperatividade - muitas vezes sem consulta médica, com o objetivo de ter mais performance nos estudos. Tal ato, se deve a expansão e abrangência dos meios de comunicação, em especial a internet, que possibilita a influência de determinadas ações em varias partes do globo, o que provoca uma hipnose em massa. Nesse contexto, desenvolveu-se a nova doença social: a cibercondria.
Em primeira instância, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que é usado como mecanismo auxiliador, não pode ser convertido em ferramenta de manipulação. A internet é o meio tecnológico mais utilizado na contemporaneidade, ademais, o que mais se desenvolve. Porém, por causa da diversidade dos resultados de pesquisa, ela desencadeou a doença da era digital, atualmente milhares de pessoas no mundo praticam a automedicação após pesquisar os sintomas e se basearem no tratamento de outros indivíduos. De acordo com o ITCQ (Instituto de pós graduação para profissionais do mercado farmacêutico) 80% dos brasileiros tomam remédios por conta própria, isto o comodismo gerado pela internet.
Contudo, além da automedicação, a cibercondria prejudica por diversos modos, seja pela conclusão de possuir grave problema de saúde - quando na verdade é uma simples virose - ou quando o indivíduo interrompe a medicação por descobrir um “tratamento alternativo” nas receitas caseiras. Ainda mais, “Dr. Google”, provoca a ansiedade (doença do século XXI), pois ao inferir que possui a enfermidade descrita na internet, a pessoa entra em uma “bolha de angústia pessoal” por ter que se conformar com seu diagnóstico e pagar caros exames e médicos especialistas.
Portanto, percebe-se que a cibercondria é uma doença em expansão pelas nações, e caso não seja tratada, logo se tornará em grave problema de saúde pública. Para que que isto não suceda, urge que o Estado por meio das secretarias municipais de saúde, fiscalize os estabelecimentos farmacêuticos, certificando que as pessoas não tenham acesso aos medicamentos sem receita médica, e por consequência, conceda multas aos comércios que descumprirem essa regulamentação. Além disso, o mesmo órgão deve promover palestras de esclarecimento em escolas, mostrando dos perigos do Dr. Google na sociedade. Pois, somente assim, o país conseguirá superar e amenizar essa situação.