Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/09/2019

Capitão Planeta, personagem fictício de programa infantojuvenil de televisão, utiliza-se de habilidades para combater a cibercondria, a qual é resultada da carência de pessoas comprometidas em cooperar com a saúde física e psicológica dos indivíduos da sociedade, e proteger as pessoas contra ameaças para que a sociedade retorne a paz e tranquilidade. No contexto atual, fora da ficção, o cenário é ainda mais alarmante: o ser humano atrelou o desenvolvimento de melhores condições de vida à custa da utilização da internet para aperfeiçoar a saúde das pessoas sem a necessidade de ajuda de especialistas, de modo que ampliou a crise aguda de pessoas à procura de diagnósticos para enfermidades por conta própria por meio da internet pelos integrantes dessa mesma sociedade.

Primeiramente, cabe destacar que a ampliação da crise aguda de pessoas à procura de diagnósticos médicos por conta própria por meio da internet resulta em danos colaterais aos indivíduos da sociedade devido à debilitação da natureza biológica do ser humano. Acerca dessa premissa, pode-se delinear um paralelo com a filosofia aristotélica do século V a.C, segundo a qual “o ser humano é um animal político e social”: o que se vê hoje é que o desenvolvimento tanto da tecnologia quanto do bem-estar social e a carência de tempo livre no cotidiano das pessoas para prevenir contra as doenças resultou em aumento da cibercondria, a qual é responsável por desestabilizar a saúde humana.

Paradoxalmente, o ser humano, o qual é considerado como um ser racional, está inserido em uma dicotomia: ao mesmo tempo em que está à procura de desenvolver a saúde humana por meio de vacinas e remédios prescritos por médicos e farmacêuticos. No entanto, ele deixa a desejar no que se refere à preservação da saúde humana por meio de ajuda especializada, haja vista que segundo a ICTQ(Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade) e o cardiologista Marcos Vinícius Gaz, cerca de 79% dos brasileiros realizam a cibercondria, a qual é realizada pelo brasileiro devido à facilidade de acesso à internet para utilizar os remédios indiscriminadamente.

Portanto, a cibercondria deve ser combatida com a iniciativa do Ministério da Educação, em parceria com as escolas municipais, psicólogos, infectologistas, farmacêuticos e o Ministério da Saúde, em realizar a implementação de debates socioeducativos, por meio de palestras psicopedagógicos, a respeito dos malefícios do autodiagnóstico à saúde das pessoas, além da propagação de folhetins relacionados aos benefícios de procurar ajuda especializada em casos de doenças, para que possa haver um trabalho de transformação na mentalidade dos brasileiros em relação à cibercondria, de modo que o brasileiro não precise ser reeducado por meio do programa infantojuvenil de televisão Capitão Planeta, mas também aqueles projetos sejam reimplementados anualmente na sociedade.