Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 25/09/2019
A partir do advento da Internet, a vida em sociedade modificou-se em diversas esferas, principalmente no que se refere à comunicação e praticidade no acesso de informações. Contudo, apesar de seu caráter conectivo e informacional, tem sido discutido o surgimento de enfermidades causadas pelo uso inadequado desta ferramenta. Nesse viés, surge a cibercondria, a hipocondria era digital, que contribui para o agravamento do quadro de pessoas ansiosas e ao incentivo a automedicação. Desse modo, devem ser analisadas medidas para mitigar esta conjuntura.
Em primeiro plano, deve-se destacar o papel que diagnósticos obtidos via Internet possuem como impulsionadores deste óbice, uma vez que estes podem conter informações incorretas ou contraditórias. Além disso, pessoas que são excessivamente preocupadas com a saúde realizam buscas constantes na plataforma sobre sintomas de patologias que não têm, tornando-as ainda mais angustiadas e por conseguinte agravando o quadro ansioso. De acordo com dados divulgados pelo Google Analytics, 26% dos brasileiros recorrem a mecanismos de pesquisa no âmbito digital antes de se consultarem com um profissional da área. Dessa forma, faz-se necessária a conscientização da população sobre informativos e busca por fontes confiáveis.
Outrossim, é válido salientar que a automedicação, instigada por consultas ao “Dr. Google” podem esconder doenças mais graves, visto que algumas enfermidades apresentam sintomas semelhantes e apenas com o auxílio médico pode-se chegar à uma conclusão precisa. Outro aspecto relevante em torno da problemática, é a facilidade na aquisição de medicamentos sem preescrição de um profissional capacitado, posto que a maioria dos remédios dispõe de uma composição química que pode trazer danos ao organismo caso não sejam ministrados na dosagem correta. Dentre as consequências deste hábito, encontra-se a superdosagem podendo levar à graves reações, incluindo o óbito.
Entende-se, portanto, a necessidade de investimentos em propagandas digitais que alertem sobre a obtenção de diagnósticos via Web pela Organização Mundial de Saúde em parceria com veículos de midiáticos como jornais televisivos com o objetivo de conscientizar os cidadãos, e dessa maneira, atenuar a situação. Ademais, o Ministério da Saúde juntamente com o Conselho Federal de Farmácia deve promover campanhas educativas a respeito dos possíveis efeitos do uso de medicamentos sem preescrição médica a fim de informar as pessoas acerca da questão. Somente assim, será possível combater os impactos da cibercondria, a doença da era digital.