Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 26/09/2019

A hipocondria é o medo constante de adquirir algum tipo de doença mesmo quando diferentes médicos afirmam que esse indivíduo está bem fisicamente. Nesta era digital houve o surgimento da cibercondria, uma derivação um pouco mais grave da hipocondria, o indivíduo nem vai ao médico uma vez que o autodiagnostico é feito em casa após algumas pesquisas no Google e o remédio desejado disponibilizado na farmácia mais próxima. Diante disso dois aspectos fazem-se relevantes: a facilidade em comprar os mais variados medicamentos e a automedicação.

O hábito de comprar remédios por conta própria é extremamente comum na vida da maioria dos Brasileiros, sempre há uma ou duas farmácias por perto e as opções de medicamentos não são poucas, vão desde remédios para azia até dor de cabeça. Há ainda farmacêuticos que vendem remédios como Nimesulida ou até mesmo antibióticos, que necessitam de prescrição médica, sem receita alguma. Ou seja, a automedicação não é apenas comum como também é incentivada pela maioria desses profissionais.

Não há nenhum tipo de controle e fiscalização em relação a compra e venda de medicamentos no Brasil e as consequências disso afetam tanto o consumidor quanto a sociedade (é dessa maneira, por exemplo, que surgem as superbactérias). Não se sabe como a pessoa que comprou o(s) remédio(s) irá manuseá-lo(s), no caso de pessoas com hipocondria e/ou cibercondria a automedicação será feita de forma desnecessária, indivíduos com essa doença podem fazer até coquetéis de remédio e em alguns casos isso pode levar a pessoa a óbito.

Diante dos fatos supracitados é evidente que medidas devem ser adotadas. Políticas públicas devem ser criadas para que haja uma maior fiscalização na venda de medicamentos e uma maior fiscalização em relação aos produtos que os farmacêuticos vendem. Em adição, o Ministério da Saúde deve dar um respaldo maior relacionado a saúde mental, a presença de psicólogos e psiquiatras nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) é essencial, já que o número de patologias psicológicas têm crescido cada vez mais neste século e a população, inclusive a mais carente, deve ter acesso a esse tipo de acompanhamento.