Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 27/09/2019

Com o avanço da Indústria Farmacêutica entre os séculos XIX e início do século XX e com o progresso da rede de comunicações, consequência da 3º Revolução Industrial, espalhou-se por todo o mundo um hábito cultural da automedicação e um aumento progressivo da busca de diagnósticos via internet. No Brasil - país recordista mundial em automedicação -, o sistema de saúde precário aliado às influências midiáticas de medicamentos genéricos de baixo custo e o fácil acesso à informações nos sites de busca contribuem para o avanço da cibercondria. Infelizmente, muitos sintomas são comuns a diversas doenças, o que leva o indivíduo, com um simples desconforto muscular, a diagnósticos de câncer ou cálculo renal. Assim, faz - se necessária uma reflexão a respeito dessa prática.

A princípio, não é novidade que esse país possui hospitais passíveis de intervenções para melhorar a qualidade da assistência prestada. Por conseguinte, frente às dificuldades, as pessoas optam por buscar na web possíveis diagnósticos para seus sintomas. Segundo um levantamento obtido pelo site de busca “Google”, o Brasil é o país em que pesquisas relacionadas à saúde cresceram mais de 17% comparado ao restante do mundo no último ano. Nesse sentido, após o “diagnóstico”, cresce o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas inabilitadas para qualquer problema de saúde.

Ademais, esse processo poderá provocar prejuízo na qualidade de vida do cidadão a longo prazo. O sujeito poderá desenvolver doenças psicológicas como a hipocondria ou até mesmo cirrose hepatomedicamentosa devido ao uso regular de remédios sem prescrição médica. De acordo com uma pesquisa do Sistema Nacional de Informações Tóxico - Farmacológicas realizada em 2012, 8 mil pessoas morreram por intoxicação medicamentosa no Brasil. Nesse cenário, é questionável o lado positivo do avanço tecnológico, pois apesar de facilitar ações cotidianas, o homem finda adotando práticas e tratamentos sem evidência científica.

Fica evidente, portanto, que ao mesmo tempo que a internet ajuda a democratizar a informação e dar autonomia ao paciente, traz também riscos e malefícios. Nessa perspectiva, é necessário que o Governo Federal em parceria com o Ministério da Saúde estabeleçam metas de resolução desse impasse com projetos midiáticos no qual mostrem os males da busca de resposta aos problemas de saúde na web. Somado a isso, as unidades básicas de saúde devem passar por sistematização do atendimento com enfermeiros, psicólogos e médicos para melhorar a qualidade do serviço prestado, principalmente àqueles usuários que fazem uso de medicação sem consultar ao médico a fim de evitar a fugacidade dos usuários em sites de informações. Só assim, a internet será aliada da saúde.