Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 03/10/2019
Em setembro de 2019, uma mulher em Santa Catarina foi encontrada morta devido à alta dosagem de um remédio para emagrecer. A quantidade dessa substância dentro das cápsulas era alta e a vítima não consultou um médico para saber se lhe causaria riscos. Casos como esse são muito comuns dentro do país, sendo assim necessário avaliar as vantagens de ter acesso aos dados das doenças online e como evitar a ocorrência da ingestão de medicamentos sem a orientação devida.
Em primeiro lugar, é válido destacar que a disposição de dados sobre as doenças na internet é um avanço. Através da Revolução Técnico-científica Informacional, que possibilitou a disseminação de informações online, ficou mais fácil de se realizar pesquisas no âmbito da saúde. Isso acontece porque antes era necessário passar horas pesquisando numa biblioteca, o que levava horas, porém agora só é necessário ter um celular e uma rede de Wi-Fi. Consequentemente, a população foi beneficiada pelo acesso de maneira rápida e simples a um conteúdo antes restrito, contudo, isso fez com que muitas pessoas negligenciassem a necessidade de um profissional da saúde e passassem a se automedicar.
Ademais, ingerir medicamentos em excesso ou sem saber com precisão o laudo médico pode gerar problemas à saúde. No filme “Clube de compras Dallas”, o protagonista começou a criar coquetéis de remédios provenientes de outros países, pois não acreditava na eficácia do AZT, a substância que era comercializada para cura da Aids. Além de aderir ao tratamento alternativo, ele vendia esses medicamentos para outros portadores da doença. De maneira análoga, muitas pessoas preferem fazer o próprio laudo e tratamento, tomando remédios dos mais diversos tipos, mas muitas vezes sem ter o conhecimento dos efeitos colaterais causados por essas drogas.
Logo, o governo deve fazer campanhas a fim de desestimular a hipocondria mostrando, por exemplo, casos e situações de laudos errôneos e suas consequências negativas. Também deve-se, por meio das escolas, explicar a necessidade de ir a um especialista para saber sobre determinada doença. Isso pode ser feito através de aulas práticas, como quando há campanha de vacinação nas instituições, e assim tornar os alunos cientes de que um sintoma pode ser comum em mais de uma enfermidade, além de ressaltar a importância de um médico em tirar essa dúvida. A partir de tais medidas a sociedade poderá tomar mais cuidado com os dados dispostos online e correr menos riscos ao tomar medicamentos, evitando mortes por desconhecimento.