Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 30/09/2019

No contexto social vigente fica evidente a crescente dependência da Internet. Com a informação sendo de mais fácil acesso ao público, tornou-se possível absorver cada vez mais conteúdos a todo instante. Contudo, a quantidade de assuntos visualizados desenfreadamente pelo cidadão acaba por trazer mais problemas do que soluções. Um exemplo nítido disso é a Cibercondria, ou Hipocondria da era digital, uma ansiedade induzida como resultante de buscas on-line relacionadas à saúde, comumente a doenças mais graves.

Atualmente, pela quantidade de materiais encontrados na Internet, procurar por sintomas, doenças e informações sobre saúde virou um hábito comum. A facilidade em ter acesso a toda e qualquer dado criou uma dependência direta com essa tecnologia, tornando muito mais cômodo consultar os sites do que a dificuldade da demora em marcar consultas. Entre os fatores que também influenciam essa escolha está que a informação obtida na rede se torna mais ampla, enquanto a do médico, limitada. Esse fator corrobora a crença de que o conteúdo presente nos sites seja mais verdadeiro que a consulta ao médico.

Entretanto, tal hábito pode vir a ser um problema ainda maior, visto que a falta de conhecimento de qualidade pode acarretar ou piorar os distúrbios na saúde, causando ansiedade desnecessária, abandono de tratamento e, muitas vezes, uma procura desenfreada por médicos. Parte dessa complicação está diretamente relacionada ao acesso a sites de saúde não confiáveis, causando uma preocupação muitas vezes irrelevante. Contudo, é fundamental para o indivíduo saber como achar a informação correta para a resolução da questão. Um exemplo é a “My Health on the Net”, uma fundação criada na Suíça sem fins lucrativos que tem como objetivo cuidar especificamente do conteúdo de sites de saúde, tornando suas informações confiáveis. No Brasil, a primeira precaução, nesse caso, seria procurar tais informações em sites de especialidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Fica claro, dessa forma, que a falta de acesso ao conteúdo adequado é o principal fator que acaba por trazer tais riscos à saúde. Nesse sentido, faz-se necessário que haja uma maneira de informar a população o jeito correto de buscar informações na Internet. Cabe a mídia que execute campanhas informativas que apresentem aos indivíduos a forma segura de procurar dados de qualidade sobre saúde na rede, sempre evidenciando a importância do acompanhamento médico. Na perspectiva de que ao saber como recorrer a informações corretas as pessoas permaneçam mais seguras do conteúdo, evitando, principalmente, o uso desnecessário de medicamentos.