Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 30/09/2019
É fato que a tecnologia revolucionou a vida em sociedade nas mais variadas esferas, a exemplo da saúde, dos transportes e das relações sociais. No que concerne ao uso da internet, a rede possibilitou que uma grande parcela da população possuísse o devido acesso à informação. Porém , a partir desse pano de fundo,diversos transtornos - principalmente psicológicos - começam a se mostrar presentes na sociedade.Entre eles, a “cibercondria” , definida como a confiança exagerada nos diagnósticos e tratamentos encontrados na internet, mesmo quando contradizem o parecer de um profissional especializado.Nesse sentido, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos sociais e econômicos.
É importante ressaltar, em primeiro plano,de que forma esse problema se manifesta na sociedade. Evidenciado por pesquisas realizadas pelo ICTQ (instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico), a automedicação se configura alarmantemente presente na sociedade hodierna, uma vez que cerca de 79% da população com mais de 16 anos ingere regularmente ,diversos tipos de fármacos, sem prescrição médica, e quase sempre, motivada por resultados e diagnósticos obtidos online.Em meio a isso, uma analogia com o conceito de anomia social(situação em que as normas reguladoras do comportamento perderam sua validade), apresentado pelo sociólogo alemão Dahrendorf , em seu livro “A Lei e a Ordem” mostra-se extremamente válida, na medida em que médicos especializados não se configuram mais como autoridades em relação à saúde da população.
Faz-se mister, ainda, salientar que o transtorno da “cibercondria” corrobora com os interesses econômicos da indústria farmacêutica.Uma vez que , com o aumento do público consumidor, a margem de lucro dessas empresas também cresce.Por isso, muitas vezes as mesmas acabam por incentivam esse tipo de prática, seja através de comerciais televisivos, ou anúncios nas redes sociais.Paralelamente, esse é o objetivo da indústria cultural para os pensadores da Escola de Frankfurt: produzir conteúdos a partir do padrão de gosto do público, para direcioná-lo, torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível.
Portanto, é primordial que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. visando menor influência da mídia a favor da automedicação, urge que o Ministerio da Cultura aumente a rigidez quanto à permissão de propagandas que divulguem qualquer tipo de fármaco, principalmente analgésicos.Regulamentação que deverá ser realizada através incumbência de pelo menos um agente fiscalizador por rede televisiva.Dessa forma, as causas e consequências da problemática na sociedade poderão ser minimizadas