Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 01/10/2019

Durante a Guerra Fria, houve a criação da internet que tinha o objetivo de facilitar a comunicação das bases militares americanas. No século XXI, essa inovação é acessível aos civis e há um grande fluxo de informações na rede. Todavia, com isso, há o surgimento de uma nova doença no Brasil: cibercondria, causada pela fusão da hipocondria e o meio virtual. Nesse viés, observa-se o fácil acesso a informações referente à saúde e aos medicamentos.

Em primeira análise, o acesso à saúde foi modificado devido a essa nova era digital. A princípio, é possível não só verificar os resultados de exames feitos, mas também acessar sites sobre doenças físicas e mentais, sendo assim, o indivíduo pode fazer suposições ou, até mesmo, verificar em sites de pesquisas sobre o seu quadro clínico e realizar o diagnóstico por conta própria. Consequentemente, muitas doenças graves são negligenciadas por não haver um tratamento médico adequado e há também supervalorização da tecnologia. Esse ponto de vista é confirmado pelo físico Albert Einstein, o qual diz que a tecnologia ultrapassou a humanidade. Assim, é possível perceber que até mesmo uma consulta médica é sucessível à substituição pela internet.

Outrossim, uma das práticas consideradas normais no mundo atual é, na verdade, um dos sintomas dessa doença da era digital. Nesse âmbito, destaca-se a automedicação - consequência do autodiagnostico supracitado - e segundo a pesquisa do ICTQ, 8 em cada 10 brasileiros, com mais de 16 anos, tomam remédio por conta própria. Isso ocorre devido ao fácil acesso a medicamentos na pátria brasileira, já que para comprar algum remédio basta apenas ir ao balcão da farmácia e, muitas vezes, não é preciso o uso da receita médica. Assim, a compra de medicamentos é comparada à de chicletes, de acordo com o médico Marcos Vinícius Gaz, do Hospital Israelita Albert Einstein. Sendo assim, essa problemática intensifica-se progressivamente com essa gama de informações sobre a saúde e o alcance de fármacos.

Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para mitigar os efeitos desse problema. Logo, o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Saúde - órgão responsável pela saúde pública nacional -, deve promover a distribuição de cartilhas nas escolas sobre a cibercondria - com a definição, os sintomas e como evita-la - aos alunos e aos responsáveis, para que eles fiquem não só cientes sobre essa nova patologia, como também identifiquem as práticas supracitadas e tentem reduzir os seus efeitos. Além do mais, é necessário também o acompanhamento psicológico e médico dos jovens, a fim de moderar a automedicação. Dessa forma, o uso da internet será saudável e sem grandes preocupações.