Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 04/10/2019

Na contemporaneidade, é evidente que, como afirma o empresário Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, a qual modificou as relações sociais, além de ampliar exponencialmente o acesso de informações. Contudo, decorrente da imaturidade digital da população, a ampla gama de conteúdos gerou patologias sociais, entre as tais, a cibercondria. Nesse contexto, o autodiagnóstico impreciso e a má gestão de medicamento é expoente.

Cabe salientar, a priori, que a preferência à irresponsável consulta em sites digitais em detrimento da busca de profissionais qualificados é antagonista na manutenção da saúde. Nesse sentido, a tentativa de se autodiagnosticar gera no indivíduo, majoritariamente, confusão devido aos falsos resultados ora alarmantes, ora simplórios demais. Como produto, os indivíduos arriscam-se em buscar tratamentos para doenças graves as quais não tem, bem como poderão ignorar um problema sério de saúde, caso o “Dr. Google” afirme que não há.

Ademais, tal doença da era digital dificulta o processo de tratamento médico, pois causa desobediência às receitas prescritas. Nesse âmbito,  evidencia-se o uso indiscriminado de medicamentos, além da inserção de fármacos paralelos e alternativos, o que viabiliza a resistência de agentes etiológicos, como vírus e bactérias. Consequentemente, o processo de restauração física encontra barreiras: em 2017, 600 mil casos de tuberculose foram resistentes à rifampicina (antibiótico), segundo a OMS-Organização Mundial da Saúde.

Dessa maneira, urge o MS-Ministério da Saúde, promova a consciência coletiva, mediante companhas esclarecedoras, tanto nas UBSs-Unidades Básicas de Saúde, quanto nos principais canais midiáticos. Tal ação visaria mitigar os sintomas sociais da cibercondria, de modo a alertar acerca dos seus riscos e fomentar a responsabilidade civil na gestão de remédios. Dessa maneira, o Brasil conseguirá traçar um prognóstico salutar diante dos impactos da tecnologia na atualidade afirmados por Steve Jobs.