Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 31/10/2019
O documentário “Take Your Pills” retrata, dentre outras coisas, o relato de uma mãe que deu ao seu filho um medicamento com base em recomendações em páginas da internet, sem recorrer à ajuda clínica. De maneira semelhante, na sociedade hodierna brasileira, a ingestão de fármacos sem prescrição médica, apenas por comentários sem legitimação de uma autoridade, tem causado enormes danos à população. Nessa perspectiva, cabe analisar quais são as causas, bem como as suas implicações. Diante disso, são essenciais medidas para reverter esse caótico cenário de cibercondria.
A princípio, vale ressaltar quais são um dos principais responsáveis pela hipocondria digital. A esse respeito, o filósofo iluminista Immanuel Kant, afirmou que as causas da menoridade - estado em que se encontra um indivíduo que não consegue pensar por si só e sempre depende de outros - são a preguiça e a comodidade. De fato, pois torna-se mais confortável ter alguém que descreva tudo o que é preciso em alguns segundos através do acesso à internet. Assim, esse processo é intensificado pela indisposição e facilidade do alcance às informações, sem que os leitores possam ponderar a respeito das consequências.
Outrossim, é notório destacar que a busca de auxílio nas redes sociais como alternativa para substituir intervenção de um médico representa um gravíssimo perigo. Acerca disso, o famoso químico Paracelso disse que a diferença entre um remédio e um veneno é a sua dose. Seguindo tal raciocínio, o uso indiscriminado tanto de substâncias desconhecidas quanto de suas dosagens, podem levar o indivíduo ao óbito, visto que cada organismo é diferente um do outro, assim como a reação química no metabolismo. Dessa maneira, ao confiar em sites não especializados no campo medicinal, os cidadãos correm sério risco de vida.
Infere-se, portanto, que são necessárias ações capazes de mitigar tal quadro. Por isso, o Ministério da Saúde deve alertar a população brasileira acerca dos malefícios dessa nova doença digital, por meio da veiculação de propagandas conscientizadoras. Elas seriam disseminadas nos principais meios de comunicação, como o rádio, a televisão e, principalmente, nas redes sociais. Ademais, é fundamental que as escolas realizem eventos que tratem essa temática, por intermédio de debates e palestras efetuadas no âmbito da instituição. Para tanto, é crucial que conte com a presença de professores, assim como de profissionais da área da saúde, a fim de atingir, com essas duas propostas, o máximo de pessoas possíveis, para que a longo prazo, tal anomalia não possa se desenvolver ainda mais, causando um alarmante problema de saúde pública. Com isso, espera-se que atitudes semelhantes aos da obra cinematográfica que foi mencionada, não possam perpetuar-se no contexto nacional.