Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 02/12/2019
A cibercondria é uma questão de saúde pública.Certamente,medidas para mitigar a hipercondria digital deve fazer parte da agenda governamental.Em vista disso,é importante salientar que,segundo Dominique Wolton,informar não é comunicar,ou seja,informação é a mensagem e comunicação é algo mais complexo,que necessita de convivência entre entre indivíduos.Desse modo,fica evidente que o excesso de informações e os perigos do Dr.Google impedem a eficácia dos diagnósticos e tratamentos médicos,uma vez que fragilizam a confiança na relação médico-paciente e impulsionam a automedicação,a interpretação errada de exames e adesão de tratamentos sem comprovação científica.
Em primeiro lugar,nos moldes de uma economia macrorreguladora fica caracterizada a presença de uma propaganda midiática sensacionalista das indústrias farmacêuticas,visto que priorizam-se nas mesmas as soluções rápidas,eficazes e suprimem os efeitos colaterais.Tal cenário de apresentação dos medicamentos induz a automedicação,responsável por sérios problemas na saúde do indivíduo e da sociedade,o mau uso de antibióticos,por exemplo,pode ocasionar ineficácia do organismo aos mesmos por meio da seleção de bactérias resistentes.Desse modo,as psicopatologias vinculados ao campo eletrônico se manifestam sob a forma de autodiagnósticos.
Ademais,sob o viés sociocultural,observa-se a permanência de uma sociedade sob a condição de uma menoridade autoimposta,ou seja,tem consciência do erro e da necessidade de mudança,mas não age de forma pró-ativa.Nessa perspetiva,é notório que o uso de remédios sem prescrição médica,a falta de credibilidade dos diagnósticos online é desconhecimento de grande parte da população,da necessidade de servir-se do seu próprio entendimento e dar confiança e credibilidade à informações e profissionais que tiveram anos de estudos e comprovações e não a 5 minutos de pesquisa no Google.
Em suma,a nova doença da era digital evidência a urgência quanto a educação digital.Não restam dúvidas de que a utilização equivocada do excesso de informação na Internet têm impulsionado o agravamento de diversas doenças e um pesado ônus a saúde pública no país.Dessa forma,criar medidas de regulamentação da publicidade farmacêutica e direcionar mais investimentos para a sáude possibilitaria reduzir a automedicação e fortalecer a relação médico-paciente,por meio de um atendimento mais humanizado e eficaz.Afinal,a precariedade do acesso a saude pública impulsionam a hipercondria digital