Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 21/03/2020
Na Roma antiga, a sociedade era dividida entre patrícios, a classe dominante, e plebeus, que eram os menos favorecidos. Nos dias atuais, a conjuntura social do Brasil se assemelha muito a dos romanos, onde a população pobre não tem acesso aos privilégios, e até mesmo aos direitos, concebidos aos cidadãos elitistas. Em meio a isso, o advento da era digital trouxe consigo invenções, como a internet, que facilitaram o cotidiano das pessoas, todavia, muitos problemas vieram com isto, como a cibercondria, devido ao comodismo e a facilidade do acesso a tratamentos inequívocos.
Um levantamento feito pelo TCU (Tribunal de Contas da União), apontou que apenas 6% dos hospitais, envolvidos na pesquisa, não tem problemas com superlotação. Hodiernamente, muitos indivíduos acabam recorrendo a filtros de informações falhos que lhes dão diagnósticos sem precisão em cima de sintomas que são recorrentes em diversas doenças, não tendo certeza nem precisão de suas enfermidades e das maneiras de tratamento, sendo possível tal confirmação apenas por meio de profissionais da área. Isso se da, muitas vezes, pela demora de atendimento nos hospitais em consequência das salas de esperas cheias e da má organização de tarefas, como as triagens, levando-os a tomar tais atitudes que lhes trazem resultados imediatos e indicações de remédios que auxiliem no combate, conferindo-lhes um estado de comodismo e de negligência de suas situações.
No ano de 1928 o cientista Alexander Fleming descobriu a penicilina, primeiro medicamento descoberto, a partir daí os fármacos são muito importantes para o tratamento de enfermidades. Entretanto, muito desses são vendidos livremente nas farmácias, o que acaba facilitando que as pessoas se automediquem e não procurem ajuda médica, uma vez que muitas indicações a respeito da utilização destes são disponibilizadas em sites e blogs. Diante de tais fatos, muitos consumidores dessas substâncias criam compulsões por acreditarem que elas estão fazendo efeito, fazendo uma inversão de papeis, colocando os meios tecnológicos no papel de profissionais de saúde por lhes conferir maior possibilidade de acesso, além de polparem o custo das consultas.
Diante dos fatos apresentados, urge a necessidade de mudança para que o índice de atingidos pelos malefícios citados seja reduzido. Assim, o Ministério da Saúde deve ampliar a atuação dos enfermeiros nos hospitais, criando projetos que a partir de uma triagem com os pacientes, eles possam ser encaixados na fila de espera por gravidade de suas enfermidades, e os pacientes com problemas menos graves possam receber receitas, sem contar como consulta polpando os gastos com tal, que lhes possibilitem comprar remédios que realmente vão lhe ajudar. Ainda, devem criar leis que proíbam a venda de fármacos sem receita médica, para evitar vícios e negligências com a saúde da população.