Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 22/03/2020

No limiar do contexto histórico, a Primeira Guerra Mundial, a partir do avanço conjunto da ciência e tecnologia no período, contribuiu para a incidência das transfusões sanguíneas ao utilizar o plasma do sangue com o objetivo de curar soldados feridos. Concomitantemente, as inovações tecnocientíficas têm se mostrado, ao longo do tempo, essenciais para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos. Entretanto, na atualidade, em contraponto aos benefícios supracitados, o excesso de informações fez surgir a Cibercondria, também conhecida como “doença da era digital”, a qual acarreta efeitos danosos.

A priori, é fato que o advento da internet nos Estados Unidos, em 1969, logo tomou proporções globais e, assim, algumas décadas após, o mundo transformou-se em uma espécie de “rede” amplamente conectada, a qual abriga todo e qualquer tipo de informação. Contudo, contemporaneamente, o excesso de sapiência disponível há um “click” pode gerar inúmeros transtornos como, por exemplo, a ansiedade sobre a saúde através de pesquisa virtual, sabida de Cibercondria. Desse modo, é comum entre os cidadãos, posterior ao surgimento de algum sintoma, recorrer às buscas na internet sobre possíveis doenças relacionadas aos indícios corpóreos e, à vista disso, designa-se o próprio diagnóstico que, na maioria das vezes, apresenta-se de maneira equivocada.

Por conseguinte, entre as decisões tomadas pelos Cibercondríacos a partir de conclusões deturpadas, está a ingestão desenfreada de medicamentos sintéticos e fitoterápicos sem prescrição médica. Nesse contexto, a série de TV norte-americana “Doctor House” aborda em seu enredo a incoerência entre o protagonista médico que se automedica quando não há necessidade e os seus  muitos pacientes que apresentam piora nos quadros clínicos por efeito da automedicação. Posto isso, de forma análoga ao campo fictício, grande parte da população mundial comete erro semelhante na utilização não prescrita de fármacos que, dessa forma, além de poderem aumentar a resistência de microrganismos, são capazes de acarretar o agravamento de uma doença ou causar reações alérgicas.

Portanto, para atenuar as principais consequências da Cibercondria, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as grandes empresas midiáticas do país, promova, através da inserção do projeto nos horários comerciais de maior audiência, campanhas de alerta sobre os riscos da automedicação indiscriminada e os cuidados necessários ao interpretar uma pesquisa sobre saúde na internet. Assim, espera-se que a população torne-se cada vez mais consciente e, como durante a Primeira Grande Guerra, a tecnologia possa interferir apenas de maneira positiva na realidade do ser.