Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 21/03/2020

Com a Guerra Fria, a tecnologia se aliou a Medicina. Mas, hoje, apesar de trazer benefícios para a saúde da população, pode ser um mecanismo para a “cibercondria”, isto é, pessoas que pesquisam sintomas para determinar seu estado de saúde, acreditam nos resultados virtuais e, como efeito, ignoram a consulta especializada. Ademais, o interesse da indústria farmacêutica no lucro fomenta a doença.

Em primeiro plano, vê-se que ferramentas como o Google fornecem espaço para a pesquisa. Todavia, quando o usuário realiza um autodiagnóstico baseado na sua coleta de informes e na sua interpretação, fica suscetível a acreditar que possui um quadro de saúde, na verdade, incompatível com a realidade. Isso porque é dado mais crédito a esse procedimento do que uma consulta médica. Como consequência, aqueles que possuem cibercondria podem, por exemplo, acreditar que possuem alguma doença grave e terem, portanto, crises de ansiedade e pânico. Logo, a automedicação passa a ser uma alternativa, o que revela o perigo e os malefícios do mau das ferramentas digitais.

Por conseguinte, a indústria farmacêutica lucra em cima da cibercondria. Justifica-se isso com a compra de medicamentos não receitados para amenizar o suposto agravo. Em face disso, segundo Max Weber, a Razão Instrumental é definida por um conjunto de ações ampliadas pelo conhecimento e fundadas na racionalização, porém sem comprometimento com a ética. Nesse contexto, percebe-se que a indústria farmacêutica tem um comportamento semelhante ao propagar a venda em massa de medicamentos tidos como “milagrosos”, principalmente, para os mais vulneráveis a realizar a compra: “os cibercondríacos”.

Destarte, cabe ao Ministério da Saúde tratar dos efeitos da cibercondria- crises de ansiedade e pânico-, por meio da ajuda de médicos, ao um vínculo de confiança entre profissional e paciente estabelecido por sessões de terapia, diálogos e orientações, a fim de que colocar o valor do médico sobre o do autodiagnóstico.