Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 21/03/2020

Em meados do século XX, ocorreu a Terceira Revolução Industrial, a qual causou um grande impacto na vida das pessoas, haja vista a ampliação do acesso à informação em um pequeno intervalo de tempo. Atualmente, os efeitos dessa mudança foram potencializados, ocasionando a chamada cibercondria, ou seja, uma patologia ligada ao fato de usuários da internet utilizarem essa ferramenta para pesquisar sobre possíveis doenças que se associem aos sintomas sentidos por esses, acarretando o autodiagnóstico. Isso acontece tanto pela carência de um sistema de saúde eficiente, como também pela carência de educação digital.

Primeiramente, essa patologia é maximizada pela ausência de eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS). De fato, o SUS apresenta um histórico de demora no atendimento, situação preocupante na sociedade pós-moderna, a partir do momento em que os trabalhadores estão submetidos a padrões elevados de desempenho dentro da empresa, tendo que dedicar todo o seu tempo para permanecer empregado. Como consequência, há cada vez mais a secundarização da relevância da ida ao médico, já que muitos podem consultar o Google e obter informações sobre a doença em questão de segundo. Nessa caso, aumenta o número de indivíduos, os quais fazem o diagnóstico impreciso, haja vista a similaridade entre sintomas de variadas doenças que possuem tratamentos diferentes.

Além disso, a falta de uma educação digital amplia o quadro da cibercondria. De fato, esse conhecimento é capaz de promover a compreensão dos riscos que o mundo digital oferece. Assim, o usuário que não apresenta o discernimento para entender a presença de notícias questionáveis disseminadas nessa ferramenta, juntamente com a ideia de que a orientação médica não pode ser substituída pelo “Doutor Google” tem, como efeito, a qualidade de vida reduzida. Isso porque a confusão de diagnóstico pode acarretar o medo e a ansiedade, levando a uma busca incessante por mais informações, fato o qual piora a situação da doença.

Portanto, o Estado precisa incentivar a ida das pessoas ao médico, por meio do envio de verbas para saúde pública, tendo em vista a importância do investimento em equipamentos modernos para exames e em mais profissionais qualificados, a fim de aumentar a eficiência e reduzir o tempo de espera nas filas de atendimento. Outrossim, as escolas precisam promover a educação digital, com intuito de aumentar a criticidade no momento da pesquisa, avaliando a credibilidade da fonte, e compreender os riscos do autodiagnóstico.