Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 23/06/2020

A princípio, a internet surgiu no contexto da Guerra Fria, quando o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com o intuito de facilitar a troca de informação em defesa do possível ataque soviético, criou um sistema de compartilhamento de dados. Tal tecnologia aprimorou-se com o passar dos anos e, atualmente, é um dos maiores meios de comunicação, entretenimento e informação. Junto a esse advento histórico, um novo estilo de vida surgiu com seus prós e contras, dentre elas a doença da era digital que está associada a massa de informações dessa era, nomeada de cibercondria.

Tal termo é utilizado pelos estudiosos por estar associado a pessoas com tendência de autodiagnóstico de problemas de saúde, após buscas na internet. O problema dessa prática é a grande quantidade de informações oferecidas nela, sendo que na maioria das vezes, os mesmos sintomas são dados a doenças graves ou não, aumentando o pânico e a ansiedade do paciente que acredita no diagnóstico online e busca o tratamento incorreto sem prescrição médica. Esse disparate tem tornado-se exponencial, sendo do Brasil a liderança  do aumento de pesquisas relacionadas a saúde.

Além de deixar as pessoas obsessivas ou angustiadas com a ideia de ter uma doença  grave, a cibercondria faz com que os pacientes busquem mais a internet do que um consultório médico, ou duvide do diagnóstico do profissional de saúde. Toda a desinformação sobre os perigos de um diagnóstico online faz com que 26% das pessoas procurem tratamento na internet. Ademais, a dificuldade no sistema público de saúde, como as filas de espera para atendimento médico, torna mais tentadora a ideia de buscar solução online. Porém, apesar da esmagadora quantidade de contras, a internet também tem sido uma ferramenta fundamental para a antecipação do diagnóstico de doenças que possivelmente se tornariam graves.

Portanto, o utilização da internet como único meio de identificar problemas de saúde torna-se muito problemática, pois contribui para o desenvolvimento da doença da era digital. Para que isso não ocorra, é dever do Estado em conjunto com o Ministério da Saúde e os meios midiáticos, como o televisivo, e através de verbas públicas, promover propagandas de alerta sobre tais problemas para conscientizar a população. Além de utilizar tais verbas para a construção de mais postos de saúde para a atender a demanda populacional, evitando o atraso nas filas de espera para diagnóstico, e o acréscimo de aulas de saúde e internet nas grades escolares, para que, com o passar dos anos, as novas gerações não sintam o impacto causado pela cibercondria.