Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 20/04/2020
Na obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, o defunto autor morre ao se automedicar. Fora da ficção, no Brasil atual, inúmeras pessoas se arriscam e se automedicam ou descobrem uma doença com a ajuda da internet. Tal fato se deve não só à demora no atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também à crença de que todas as informações da internet são verdadeiras.
A priori, vale ressaltar que segundo o jornal O Globo, 70% dos brasileiros dependem do SUS, porém esse sistema não se mostra completamente eficiente. Nesse contexto, outra pesquisa em 2018 do jornal, mostrou que 45% dos entrevistados estavam esperando há mais de seis meses para uma consulta. Dessa maneira, uma pessoa preocupada com sua saúde se vê obrigada a procurar outras formas para se tratar, e busca assim, informações na internet.
Além disso, o número alto de informações disponibilizadas na internet faz com que os indivíduos acreditem que tudo é verdadeiro, fato comprovado por outra pesquisa do jornal supracitado, na qual 83,3% dos entrevistados acreditam no que está na internet. No entanto, segundo o compositor Frank Zappa: “Informação não é conhecimento, conhecimento não é sabedoria e sabedoria não é verdade” logo, é errôneo acreditar em todas as informações da internet visto que, por exemplo, um sintoma pode fazer parte de diversas doenças diferentes, sendo necessário um exame clínico para determinar a doença verdadeira.
É inegável, portanto, a necessidade de conscientizar as pessoas sobre o risco da cibercondria. Dessa forma, cabe ao Governo, junto com o Ministério da Saúde, investir no SUS, por meio de contratações de mais profissionais , a fim de diminuir o tempo de espera para as consultas. Para mais, cabe à mídia criar projetos com propagandas e entrevistas com profissionais da saúde, a fim de conscientizar a população sobre a importância de se consultar com alguém especializado na área. Desse modo, casos como de Brás Cubas ficarão somente na ficção.