Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 28/05/2020
Na série “Dr. House” é retratado o médico Gregory House, que toma remédios adquiridos de forma fácil e ilegal na farmácia do hospital devido à sua influência. Análogo a essa temática abordada na série, no mundo não ficcional as pessoas conseguem remédios sem prescrição médica, ou seja, com o auxílio farmacêutico, principalmente em países subdesenvolvidos, surgindo assim a cibercondria, a doença da era digital pós-revolução industrial. Nesse sentido, fica clara a necessidade de uma maior orientação para a comunidade, assim como o cumprimento das leis existentes.
Segundo o portal Minha Vida que elaborou uma pesquisa, em que houve 4 mil participantes envolvidos, 80% dos entrevistados buscam informações antes e até depois de uma consulta médica. É inegável que o “Dr. Google” é o mais popular entre os indivíduos, a título de exemplo, verificar os exames por conta própria e concluir que está tudo normal ou até mesmo seguir tratamento alternativo, como uso de receitas caseiras acarretando em uma piora no caso.
Em segunda análise, uma pesquisa realizada pelo Instituto de pós-graduação para profissionais farmacêuticos, em 2018, afirma que a automedicação é praticada por 79% dos brasileiros maiores de 16 anos. Caracterizando, assim, uma preferência exacerbada pelo “Dr. Internet” em detrimento dos especialistas reais. Esse cenário dá-se por fatores como a escassez de médicos, sobretudo nas redes públicas de saúde e os interesses econômicos das empresas farmacêuticas, visto que o primeiro está relacionado à falta de vontade pública e o segundo, por sua vez, está em função da busca desenfreada pelo lucro oriundo das vendas de fármacos.
Em síntese, é mister que a orientação e as leis podem amenizar o quadro atual. Para a minimização dos problemas decorrentes, urge que o Ministério da Saúde(MS) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nos veículos de comunicação que incentive a procura de médicos e advirtam os cidadãos dos riscos para a saúde, sugerindo ao telespectador criar o hábito de ingerir apenas remédios receitados e não utilizar a internet para serviços clínicos. Somente assim será possível diminuir a automedicação, além de promover a área da saúde com o aumento das consultas e a diminuição dos efeitos colaterais de drogas sem autorização de um especialista.