Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 09/05/2020
A cibercondria, também chamada de hipocondria digital, caracteriza-se pela ansiedade induzida como resultante de buscas on-line relacionadas à saúde. É a tendência, apresentada por algumas pessoas, de pesquisar na internet sintomas ou condições de saúde que manifestam e acreditar plenamente nos resultados, sem o diagnóstico de um especialista. Diante disso, é importante destacar que o acesso à informação sobre patologias é imprescindível para a sociedade. No entanto, dois são os principais problemas: automedicação e dados falsos sobre saúde apresentados na internet.
Em primeiro lugar, constata-se que o consumo de medicamentos sem prescrição médica é considerado um problema de saúde pública no Brasil. Conforme uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia, a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses. O uso de medicamentos de forma incorreta pode acarretar o agravamento de uma doença, uma vez que determinados sintomas são encobertos, facilitar o aumento da resistência de microrganismos, o que compromete a eficácia dos tratamentos, e potencializar ou anular o efeito de outro remédio, anteriormente utilizado pelo indivíduo. Além disso, dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, afirmam que os medicamentos foram responsáveis por 28% de todas as notificações de intoxicação. Nesse sentido, esse quadro precisa ser revertido.
Segundo a linha de pensamento de Arthur Schopenhauer, ‘’todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo", ou seja, os indivíduos acreditam que os limites da realidade vivida por eles representam os limites da realidade vivenciada por todos os outros. Na perspectiva da cibercondria, essa ideia tem relação as informações veiculadas na internet sobre condições de saúde, expostas com base nos sintomas apresentados e tidas como verdades absolutas. Logo, os usuários não só desconsideram que diversas doenças apresentam os mesmos sintomas, mas também deixam de averiguar a veracidade dos dados e questionam os resultados apontados por um especialista ao consultá-lo. Nesse viés, os limites do próprio campo de visão seriam os ‘‘diagnósticos’’ adquiridos na rede e de acordo com Schopenhauer, considerados os limites do mundo.
Portanto, urge que o combate à automedicação e ao autodiagnóstico, seja garantida na prática efetiva. Cabe ao Ministério da saúde essa função, por meio da criação de campanhas educativas, conscientizando a população sobre os riscos do consumo de medicamentos com base em uma pesquisa na rede; com o auxílio do Conselho Federal de Farmácia para orientar os seus profissionais, sobre a verificação do tratamento realizado pelo consumidor antes de concluir a venda de outro remédio. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os casos de cibercondria no Brasil.