Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 02/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, denota uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa, na realidade contemporânea, é o oposto, uma vez que a cibercondria – doença da era digital que se caracteriza pela preocupação de estado de saúde – apresenta barreiras. Esse cenário antagônico é fruto tanto da grande procura de diagnóstico na internet, quanto do posicionamento/comportamento do indivíduo frente as informações.

Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a procura desenfreada em programas de buscas deriva de um histórico cultural brasileiro. De acordo com o Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), 40% da população buscam por diagnóstico na internet, o que demonstra que as pessoas não recorrem a sites de especialidades médicas, onde as informações tem cunho científico e não generalizado. Assim, os indivíduos pesquisam informações constantemente e encontram diversas respostas, o que tem aumentado os indicativos de ansiedade e estresse em pessoas cibercondríacas.

Além disso, é imperativo ressaltar o posicionamento do indivíduo como promotor do problema. De acordo com o ICTQ, 76% da população brasileira se automedica. A partir desse pressuposto, o comportamento diante das informações encontradas é prejudicial, pois a promoção da saúde excede o ambiente virtual e exige condutas e ações que os profissionais da saúde são capazes de auxiliar. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o comportamento maléfico contribui para a perpetuação desse quadro.

Portanto, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar a cibercondria na sociedade, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em divulgação de sites especializados, por meio de panfletos virtuais e nas unidades de saúde para orientação de pesquisas e comportamentos. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo da doença digital, e a coletividade alcançará a Utopia de More.