Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 02/06/2020

Ao descortinar do século XX, a contemporaneidade, marcada pelo advento do viés tecnológico, o remodelamento das relações interpessoais e o avanço da globalização, permitiram diversas inovações tecnológicas e a facilidade no acesso a informação. Entretanto, a modernidade trouxe consigo problemas como a cibercondria, forma de hipocondria agravada pelo fato de o paciente apresentar uma compulsão para pesquisar na internet informação sobre os sintomas que o preocupam, motivando autodiagnósticos pessimistas que aumentam a sua ansiedade e automedicação.

Em primeira análise, a internet é uma excelente forma de adquirir conhecimento de forma rápida, simples e direta, por possuir inúmeros sites que abordam diversos temas distintos. No entanto, a amplitude de assuntos e a liberdade concedida na web, deixa uma margem para falsas informações e para a presença de fake news. Desse modo, de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), 62% dos brasileiros não sabem reconhecer uma notícia falsa, um exemplo comum são as pesquisas sobre temas relacionados a saúde, visto que grande parte da população recorre primeiramente a internet ao se deparar com algum problema médico.

Em segunda análise, o Brasil possui o IDH ( Índice de Desenvolvimento Humano) considerado alto, apesar disso, a saúde no país, um dos critérios para a análise desse dado ainda não consegue atender toda sociedade, uma vez que o sistema popular é carente em algumas vertentes e o sistema privado, devido ao seu alto valor tarifado, acaba funcionando como um mecanismo de segregação. Atrelado a essa situação, a automedicação acaba sendo uma alternativa necessária para a população, contudo tal ação pode acarretar em diversos problemas de saúde, uma vez que a falta de conhecimento sobre qual o verdadeiro motivo dos sintomas, em conjunto com a falta de instrução sobre determinado fármaco pode encobrir sintomas de doenças mais graves e aumento da resistência de agentes patológicos.

Em suma, a cibercondria, intensificada pela falta de informação qualificada e verídica, deve ser reduzida drasticamente. A fim de solucionar tal mazela e minimizar os problemas gerados por ela, seria interessante que as instituições educacionais trabalhassem o conceito com os estudantes, despertando-os para a consciência crítica necessária ao ler e pesquisar sobre possíveis patologias e as consequências geradas pela automedicação. Alem disso, o Governo Federal, por meio de verbas públicas deve investir ainda mais nos sistemas públicos de saúde, para que seja de fato eficiente e atinja toda a população. Por fim, tais propostas reduziriam os riscos da automedicação e autodiagnóstico, e uma vez que teriam acesso a médicos especialistas.