Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 02/06/2020
O conceito de hipocondria está associado à obsessão com a ideia de ter um problema médico grave, mas não diagnosticado. Tornando o indivíduo, desse modo, suscetível a procurar meios rápidos de sair daquela situação, como o uso indiscriminado de medicamentos, que podem ser nocivos à saúde. Assim, vale frisar que a internet é um dos principais protagonistas no processo de fomentação da automedicação da sociedade.
Em primeiro lugar, a internet deixou de ser um recurso de entretenimento e se tornou um dos principais meios de adquirir informação, que, se não for filtrada, pode trazer confusão a quem utiliza. Em outras palavras, basta “dar um google” e o diagnóstico, que na maioria das vezes não é verdadeiro, surgirá na tela do celular, instantaneamente. Entretanto, essa prática coloca em risco a saúde da população, uma vez que o laudo virtual está sujeito não somente à falta de procedência, mas também a erros que podem ser perigosos para o paciente. Portanto, esse tipo de irresponsabilidade deve ser combatido, tanto pela sociedade quanto pelos governantes.
Em segundo lugar, uma pesquisa realizada pelo Instituto de pós-graduação para profissionais farmacêuticos, em 2018, afirma que a automedicação é praticada por 79% dos brasileiros maiores de 16 anos. Ou seja, há uma preferência exacerbada pela facilidade da internet em detrimento dos especialistas reais. Esse cenário se dá por fatores como a escassez de médicos, sobretudo nas redes públicas de saúde, e os interesses econômicos das empresas farmacêuticas, visto que a automedicação promove um consumo exagerado de medicamentos, o que leva ao lucro das empresas. Nesse sentido, medidas devem ser tomadas para combater a cibercondria.
A fim de combater a doença da era digital, o Ministério da Saúde deve garantir o atendimento médico devido à população. Para além disso, em parceria com as mídias digitais, deve promover propagandas que conscientizem sobre a importância de se consultar com médicos reais.