Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 05/06/2020
Segundo Lavoisier “nada se cria, tudo se trasforma”. A hipocondria é fenômeno já bastante antigo. Hodiernamente, no entanto, tem encontrado expressão por meio de mecanismos digitais, dando origem ao neologismo “cibercondria”. Isto é, o indivíduo, a fim de autodiagnosticar-se, recorre ao Dr. Google, que não cobra honorários, não tem secretária e “trabalha” vinte e quatro horas por dia. Este tipo de ocorrência pode gerar muitas consequências maléficas, tais como automedicação, pânico, dentre outras. Todavia, é importante considerar que é muito bom que haja informações disponíveis sobre saúde. O problema é o uso que se faz dela e a credibilidade incondicional, relegando o atendimento profissional a segundo plano ou mesmo desconsiderando-o.
No Brasil, há a tendência de as pessoas se automedicarem. As estatísticas apontam para números próximos a 80%. Contribui para isso o fato de que poucos medicamentos requerem prescrição médica para sua aquisição nos balcões das farmácias. A circunstância de as pessoas pesquisarem no computador seus sintomas, bem como os remédios supostamente mais indicados implica em maior consumo das drogas, sem receituário.
Outro problema a ser mencionado é o fato de que muitas pessoas passam a duvidar dos profissionais pelo excesso de informações que adquirem em “sites” de “internet”, dificultando-lhes a resolução de suas doenças.
Contribui para tais ocorrências a precariedade do sistema de saúde de que dispomos no País. A rede do Sistema Público de Saúde ainda é insuficiente para o atendimento à população; bem como a falta de educação do povo para discernir sobre “informações” de saúde e necessidade de avaliação profissional.
A fim de combater a “cibercondria”, é necessário que o Governo Federal promova campanhas públicas, alertando para os perigos de tal prática, bem como melhore o Sistema Público de Saúde.