Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 06/06/2020

Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira do século XIX. Ainda que dois séculos tenham se passado, desde a época em que viveu o escritor realista, pouco mudou quando se observa a cibercondria como doença da era digital. Diante disso, cabe analisar tanto a dependência de uso da Internet quanto o fácil acesso à informações para o autodiagnóstico como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.

Considerando o exposto, convém pontuar a cibercultura como manifestação psicopatológica da pós-modernidade. Nesse contexto, a criação do Facebook por Mark Zuckerberg favoreceu o desenvolvimento de redes sociais e outras inovações tecnológicas. Desse modo, a revolução dos modelos de comunicação, incitada pela Web, e seu aprimoramento representa, no contexto atual, um problema de alienação.

Outrossim, vale salientar a facilidade de acesso à diversas explicações de sintomas no “Dr. Google”. À luz dessa ideia, no Brasil, a maior parte da população realiza a automedicação corriqueiramente, de acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia. Não há como negar, portanto, que o diagnóstico, a interpretação de exames, a prescrição de tratamentos, entre outras especialidades de um profissional da saúde, são exercidas pelos próprios indivíduos que, por meio de pesquisas online, consideram-se aptos para tal tarefa.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Portanto, a mídia, principal veículo formador de opinião, deve promover campanhas educativas acerca do consumo online consciente, com foco em buscas sobre enfermidades. Tal ação pode ser realizada por meio das mídias sociais de amplo acesso entre os brasileiros, a fim de melhor informar a população acerca dos perigos da autonomia indevida. Com tais ações, espera-se que o pensamento machadiano seja alterado.