Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 07/06/2020

O médico de si próprio

A hipocondria é a obsessão com o pensamento de ter alguma doença, sem que essa tenha sido diagnosticada. Atrelando este conceito ao mundo atual, surge a cibercondria, trazendo consigo diversos malefícios. Dessa forma, existem dois pontos a serem considerados: a descrença em médicos, e as manobras do capitalismo.

Primeiramente, a comodidade de encontrar seu problema em poucos minutos, dentro de seu lar, faz o indivíduo autodiagnosticar-se. Segundo o Conselho Federal de Farmácia, cerca de 77% dos brasileiros se automedicam. Tal fato é explicado pelo pressuposto de que não necessita-se um profissional para tratar algum incômodo, sucedendo na intoxicação de muitos. Conforme o filósofo Immanuel Kant, enquanto o homem não sai do seu estado de menoridade, não possui maturidade intelectual, logo, acredita cegamente no que o é dito.

Além disso, essa falta de esclarecimento da população é aproveitada pela indústria farmacêutica, que vende e divulga remédios “milagrosos”, prometendo resolver inúmeras enfermidades. Dessa maneira, torna-se cada vez mais fácil que pessoas iniciem tratamentos de doenças que sequer têm. Outrossim, as más condições de hospitais públicos e altos preços em planos de saúde dificultam o acesso à médicos por grande parte da sociedade. Estes, ficam evidentes na afirmação do sociólogo Karl Marx, “a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”.

Tendo em vista as problemáticas analisadas, conclui-se que a falta de crença em profissionais da saúde e o sistema econômico vigente agravam os sintomas da cibercondria. Com isso, deve haver um maior número de políticas públicas que facilitem  o acesso da população mais pobre à hospitais, realizadas pelo governo em parceria com o ministério da saúde. Outra ação seria a conscientização dessas pessoas, por meio de propagandas realizadas pelo Estado, diminuindo a automedicação.