Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 18/06/2020
Em um pronunciamento oficial na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou fazer uso de hidroxicloroquina como prevenção ao novo Coronavírus. Apesar de não haver estudos que indiquem a eficácia e segurança do medicamento, o mandatário americano não apenas o faz sem recomendação médica como também estimula o uso por terceiros, alegando que ouviu muitos bons relatos em grupos on line. Essa conduta reflete o fenômeno de cibercondria, uma tendência de auto consulta pela Internet, que pode gerar desde problemas psicológicos ao agravamento de doenças pré-existentes.
Em primeira análise, é importante salientar que fazer consultas relacionadas a doenças em sites de busca pode gerar perturbações mentais. Nesse sentido, o escritor Carlos Heitor Cony, membro da Academia brasileira de Letras (ABL), afirmou que “a Internet é poluidora - não no sentido ecológico, mas espiritual”. De fato, a Rede Mundial de Computadores é uma fonte inesgotável de informações, mas nem todas são úteis e específicas. Desse modo, ao entrar em contato com diversos sintomas, a pessoa se sente angustiada e pode desenvolvê-los psicologicamente, levando a um quadro de hipocondria.
Em segunda análise, a auto consulta pela internet dificulta o diagnóstico correto trazendo complicações. Apesar da utilidade dessa ferramenta para acessar laudos dos laboratórios, algumas pessoas convencem-se de que é mais cômodo consultar o Google para interpretar os resultados. Dessa forma, predomina a subjetividade do paciente em vez da avaliação médica. Outrossim, por medo ou hesitação, ou por considerar a doença leve, o paciente deixa de seguir o tratamento corretamente, o que pode agravar seu estado de saúde. Além disso, estará muito mais propensa a automedicar-se, uma prática que é amplamente contraindicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
Evidencia-se, portanto, que a Internet não é uma fonte segura de tratamento e bem estar, antes, consultá-la indiscriminadamente causa ansiedade e dificulta diagnósticos e tratamentos. Para que a população eduque-se quanto a melhor maneira de tratar de sua saúde, é preciso que o Ministério da Saúde lance em rede nacional propagandas nos canais abertos de televisão. Além disso, Cartazes informativos devem estar disponíveis nos postos de saúde, nos hospitais e clínicas, tanto da rede pública quanto da rede suplementar. Da mesma forma, os sites que veiculam informações sobre cuidados médicos devem frisar a necessidade de buscar ajuda profissional. Por fim, órgãos de normatização, como a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), devem aumentar o rigor às drogarias quanto à disposição de medicamentos, a fim de que sejam vendidos apenas com receita médica. Assim, será possível ter uma população, física e mentalmente, mais saudável.