Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 01/07/2020
Manuel Castells caracteriza a internet como ambiente importante para a amplitude da democracia, devido ao seu caráter informativo e deliberativo. De fato, o meio digital exerceu enorme influencia na disseminação das informações em vários âmbitos sociais. Todavia, tal dinâmica tornou-se suscetível para o aparecimento de anomalias, como é o caso da Cibercondria: a doença digital. Tal irregularidade caracteriza-se pela prática de chegar a conclusões precipitadas em relação à saúde usando a internet. Isso ocorre devido à falta de informação e à inação do Estado.
Constata-se, a princípio, que a ausência de informação corrobora para que a cibercondria se perpetue cada vez mais na sociedade. Esse problema origina-se da atual estática prática da sociedade em procurar informações confiáveis na internet, o que leva à grande desarmonia social e desespero das pessoas. Consequentemente, tal problema transfigura-se das telas e se manifestam nas atitudes da população, uma vez que as informações expostas levam as pessoas a consumirem dietas duvidosas e até medicamentos desnecessários, o que pode acabar um agravando a saúde dessas vítimas. Nesse sentido, tal cenário denota, como afirma Immanuel Kant, indivíduos de menoridade intelectual - que são caracterizados por não terem autonomia sobre seus intelectos.
Outrossim, somado ao supracitado, a inércia do Estado potencializa para a consolidação da cibercondria na sociedade. Nesse contexto, Platão, filósofo da antiguidade, dissertara que a política deveria ser uma atividade elevada e nobre, marcada pela busco do bem estar do corpo social. Entretanto, quando analisa-se o atual modelo de políticas no que tange à cibercondria, vê-se total desconcerto com a ideia do pensador, já que não existe medidas, seja pela fiscalização do meio digital para impedir a difusão de informações inverídicas, seja com um pacote de leis que impeça o consumo de remédios sem a prescrição médica. Desse modo, enquanto essa situação for a realidade, a saúde pública terá como um grande inimigo a própria internet.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que providências sejam tomadas para obliterar a cibercondria e seus efeitos. Para isso, cabe ao Ministério da Educação construir um perfil crítico na sociedade, por intermédio da intensificação de aulas de Biologia, que irão abordar a questão da saúde, mediante documentários e artigos científicos, os quais serão responsáveis auxiliar a procurar informações verídicas, além de ajudar a entender o vocabulário médico, no fito de coibir essa problemática. Ademais, o Estado deve, junto ao Poder Legislativo, impedir a estabilização da cibercondria, por meio da criação de um pacote de leis, os quais serão responsáveis pela criação de delegacias especiais que fiscalizem a internet e farmácias que vendem produto sem bula, a fim de garantir a ideia de Castells.