Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 03/07/2020

Autodiagnóstico Cultural

A hipocondria é um problema antigo do ser humano. Caracteriza-se, basicamente, por excessiva e frequente preocupação de se estar doente, buscando informações em fontes que carecem de confiabilidade. Porém, esse antigo problema se manifesta nos dias atuais de uma forma nova: é o novo termo cibercondria, que sugere uma hipocondria, só que baseada no mundo digital. Esse novo problema acaba afetando a saúde de muitos brasileiros e, evidencia, um grande problema de alguns brasileiros: a falta de compreensão de que tem coisas que só o médico é capaz de fazer.

O Google é detentor do maior buscador da internet, cujo nome é o mesmo da empresa. Ele trouxe inúmeros benefícios para as pessoas, trazendo a possibilidade da internet ser acessível tal como o é hoje. Porém, com esses benefícios veio emaranhado malefícios: a disseminação e o consumo de informações nada confiáveis. Segundo o ICTQ, 79% dos brasileiros com mais de 16 anos de idade se automedicam, ou seja: utilizam remédios sem aconselhamento profissional. Isso se deve, em grande parte, à hipocondria. A qualquer momento uma pessoa que acha que está doente pode, através do Google, obter diversas informações (incluindo algumas absurdas), concluir seu diagnóstico e tratamento, isso tudo sem uma única palavra proferida por um médico de verdade.

Essa realidade é extremamente perturbadora: há uma cultura no Brasil de que só se deve ir no médico em último caso, quando, na verdade, deve-se ir ao médico sempre que necessário. Através do mal uso da internet, milhões de pessoas acabam por diminuir suas chances de se curar de suas doenças, distúrbios ou problemas, esquivando-se do tratamento verdadeiro, que apenas advém de um profissional qualificado.

Enquanto o brasileiro não tiver a noção de que deve consultar-se com o médico para obter tratamento adequado, casos de tratamento nocivo à saúde (ou que ao menos diminui as chances de recuperação) aumentarão cada vez mais. Somado a isso, enquanto o acesso a medicação for fácil, isso continuará ainda mais. Somente com uma propagação de conhecimento cientifico-medicinal adequado e boa legislação a cibercondria pode ser solucionada no Brasil.