Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 09/07/2020
Com o advento da Revolução Tecno-Científica, tornou-se possível o acesso instantâneo aos mais variados tipos de informação por meio da internet, inovação que trouxe consigo inúmeros benefícios e facilitações à sociedade contemporânea. Não obstante, essa tecnologia também apresenta uma faceta negativa, já que nem todos os usuários da internet fazem o uso adequado de seus recursos informacionais; utilizando-os, por exemplo, na prática do autodiagnóstico. Nesse contexto, a cibercondria surge como um agravamento da hipocondria causado pela era digital, sendo suas principais causas a visão distorcida da sociedade sobre distúrbios psicológicos e o imediatismo inerente à modernidade.
Em primeira análise, cabe destacar as condições de marginalização social a que foram submetidas pessoas portadoras de distúrbios psicológicos ao longo da história. Isso pode ser observado no livro de Daniela Arbex, “Holocausto Brasileiro”, que retrata a maneira desumana em que eram tratados os pacientes de um manicômio brasileiro onde morreram mais de 60 mil pessoas. A tragédia é recente e mostra como o preconceito em relação a pessoas portadores de psicopatologias está enraizado na sociedade. Outrossim, a hipocondria e a cibercondria continuam não sendo levadas a sério pelo meio social e as pessoas que sofrem da doença frequentemente não recebem o tratamento psicológico adequado, seja por vergonha ou por falta de acesso.
Além disso, o fluxo informacional ininterrupto característico do mundo globalizado contribui à formação de indivíduos imediatistas, sendo a impaciência um traço marcante da nova geração. Assim, percebe-se a cibercondria como consequência de uma cultura que preza pelo imediato em detrimento do confiável e, dessa forma, potencializa as condições de ansiedade e hipocondria enfrentadas por uma parcela considerável da população mundial. Esse desejo por respostas rápidas acaba por levar muitas pessoas que sofrem de cibercondria a confiar em “sites” com informações de veracidade questionável, podendo até mesmo automedicar-se indevidamente e gerar complicações médicas reais.
Dessa forma, é pertinente ressaltar a urgência da colaboração de diversos setores sociais em frente à problemática da cibercondria. O Ministério da Saúde, órgão responsável pela organização de políticas públicas relacionadas à saúde, deve, por meio de investimentos e campanhas de conscientização, promover a universalização do tratamento psicológico, junto à desmistificação de psicopatologias como a cibercondria no meio social, de forma a fornecer o devido apoio aos que sofrem da doença. Além disso, as escolas, em conjunto com a famílias, devem estimular nos jovens o senso crítico, tornando-os menos suscetíveis às informações inverídicas no ciberespaço e aos males da automedicação.