Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 25/07/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito à saúde e ao bem-estar. Entretanto, a ineficiência do serviço público e a celeridade da vida cotidiana impedem o exercício pleno dos bens jurídicos tutelados no texto constitucional. Além disso, o avanço tecnológico tem levado a população a buscar, em meio virtual, alternativas ao tratamento hospitalar, fator que corrobora com o surgimento de novas problemáticas. Diante disso, evidencia-se a necessidade de intervenção estatal, com vistas a oferecer suporte de saúde adequado aos brasileiros e mitigar questões nocivas, como o autodiagnóstico e a automedicação, que podem trazer graves danos colaterais.
Em princípio, sabe-se que a viabilização do atendimento médico adequado é essencial para a homeostase (equilíbrio interno) de uma nação. No Brasil, conforme pesquisa do Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICQT), quase 80% da população adulta se automedica, o que leva a indagações acerca das causas da prática. Nesse ponto, é racional crer que a precariedade dos hospitais públicos seja protagonista do problema, todavia, é certo que o ambiente virtual possui alto teor de influência, uma vez que provê o acesso rápido e fácil a qualquer tipo de informação. Por conseguinte, em vez de enfrentar filas em recepção de hospitais, os pacientes procuram respostas às suas demandas em seus próprios computadores e, por vezes, intensificam os danos preexistentes.
Faz-se imperioso, ainda, salientar que é função do Estado inibir as práticas supracitadas. Isto posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que diz que o sol jamais enxergaria a sombra, por serem incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar o sol ao ato governamental de envidar esforços, normativos e financeiros, no sentido de democratizar os cuidados de saúde no país, em toda sua extensão. Dessa forma, a sombra, atual “status quo” (estado atual), aos poucos cederá espaço para o progresso, caso a luz irradie com maior intensidade.
Destarte, depreende-se que o governo tem importante papel a cumprir no ajuste do hodierno cenário. Logo, cabe ao parlamento a abertura de comissão permanente que atue diuturnamente no estudo da causa. Para isso, deverão ser conclamados economistas, membros do Ministério da Saúde e demais cidadãos que detenham conhecimento útil e almejem representar o país em plenário, a fim de garantir pluralidade aos trabalhos. Ademais, além de ostensiva conscientização popular acerca dos riscos da automedicação, é mister que a comissão pleiteie em congresso verba para contratação de profissionais de saúde a serem locados em pontos estratégicos, definidos em estudo prévio, conforme necessidade. Assim, o país gradativamente superará o tema e rumará à ordem.