Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 29/07/2020

Com os aparelhos tecnológicos e sites de pesquisa cada vez mais presentes na vida cotidiana das pessoas, fica-se mais vulnerável a informações benéficas e maléficas. Com uma constante influência de informações que nem sempre são filtradas, pessoas podem desencadear ataques de ansiedade e pânico em decorrência a um diagnóstico sem precisão. Com a COVID-19 em avanço pelo país, notícias falsas, desnecessariamente e indevidamente alarmantes tomam espaço e fortalecem seu perigo, podendo afetar o usuário e causar consequências que poderiam ser evitadas com um meio de comunicação seguro, gerando vítimas de uma doença transmitida pelo uso desregrado da tecnologia.

Conforme a aprovação da lei e constando no site do Senado Federal, a telemedicina se torna legal no Brasil, o contexto pandêmico foi um dos motivos para tal. Uma pesquisa comandada pelo Conselho de Medicina em 2018, aponta que pacientes chegam a esperar de seis meses a um ano para uma consulta ou até mesmo cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O país enfrenta uma crise econômica que causou o desemprego de inúmeros brasileiros, que deixaram de ter um plano de saúde e migraram para o SUS, ainda segundo a pesquisa. A situação se repetiu e aumentou em 2020. A impaciência e urgência para uma resposta faz com que os sintomas sejam postos em navegadores, onde em segundos um diagnóstico incerto é feito.

Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico (ICTQ), 8 a cada 10 brasileiros se automedicam dando espaço para uma neurose pelo consumo de remédios sem recomendação médica, descartando o risco de se apresentar uma alergia ao medicamento ou desencadear algo mais sério, como por exemplo uma overdose. Pessoas enfermas lotam hospitais, e em uma pandemia o cuidado com a saúde deve prevalecer, não se expondo ao risco de contaminação é uma das medidas sensatas a se seguir. Para que isso aconteça não pode haver uma superlotação nos centros médicos, estes ao sobrecarregar o sistema de saúde necessita de mais investimento econômico, o que poderia ser evitado em outras proporções se houvesse conscientização populacional sobre os riscos e o apoio governamental para que a vida seja posta como prioridade e não opção.

Conclui-se que para redução do número de pessoas cibercondríacas, é necessária uma ampliação no sistema de saúde e acessibilidade para comunidades mais carentes. O Ministério da Saúde em conjunto dos órgãos estaduais deve construir e distribuir pelo território novos hospitais, junto de um site responsável com atendimento ao consumidor que disponibilizará informações, notícias e orientações. Assim, a população terá oportunidade de consultar com especialista, e não recorrer ao “doutor Google”.