Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 31/07/2020

Brooklyn, 1986 é onde e quando se passa a série americana “Everybody hates Chris”, na obra Rochelle é a mãe do personagem principal, e em um episódio o protagonista narra comicamente a maneira que sua mãe trata qualquer enfermidade que apareça: “Vou pegar o Xarope”, metonimicamente, a personagem representou em uma simples frase o pensamento cultural da automedicação. De maneira semelhante à série, no Brasil, a cultura de se automedicar é vivenciada pela população. Sendo assim, faz-se necessário ponderar essa questão de maneira sensata.

Primeiramente, a questão da automedicação em parte advém da hipocondria - doença caracterizada por presença de sintomas inexistentes - gerada por excesso de informação encontrada em sites de busca como o “Google”, informações que sem um direcionamento profissional, sem um diagnóstico nada revelam sobre a possível enfermidade do indivíduo. Ademais, segundo pesquisas do ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade),80% das pessoas com mais de 16 anos já se automedicaram. Em vista disso, a falta de perícia no que tange à pesquisa de sintomas na internet aliada à facilidade de comercialização e à falta de rigor fiscal, pode acarretar em sérias consequências, não somente para o indivíduo, mas para toda a sociedade.

Outrossim, um dos fatores mais perigosos que podem ser engendrados por essa prática são a ingestão de antibióticos que podem selecionar as superbactérias e que podem ser explicadas pela teoria da seleção natural estudada pelo cientista, Charles Darwin, a qual teoriza a forma como seres de mesma espécie sobrevivem à catástrofes, enquanto outros não. Ele em sua teoria, verificou que há diferenças entre os seres que os fazem ter uma maior ou menor adaptabilidade ao meio, explica-se assim a permanência de uns e a extinção de outros. Dessa forma, a automedicação, primordialmente os antibióticos, podem ocasionar em bactérias que são resistentes aos antibióticos existentes, configurando-se assim como um imbróglio para os avanços da saúde moderna.

Infere-se, portanto, que a falta de fiscalização e a imperícia dos indivíduos podem ser danosas à nossa esfera social, necessita-se então, a tomada de medidas para refrear essa pedra no caminho. Para tanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, deve aumentar o rigor fiscal, contactando as pastas responsáveis e os imcubindo de executar as fiscalizações nas farmácias para que haja diminuição na venda de remédios sem receita médica. Ademais, o Poder legislativo, deve criar projetos de leis que visem a mitigação dessa problemática. Isso com o fito de tornar a sociedade mais saudável. Isto posto, a automedicação proposta pela mãe do Chris deverá ser menos verossímil e apenas humorística.