Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 10/08/2020
A internet e outras tecnologias digitais são, inegavelmente, um marco da sociedade pós-industrial, tendo sua difusão diretamente atrelada ao processo da globalização, que, por sua vez, foi responsável por aproximar a política, economia, e até mesmo a cultura de vários países diferentes. Constata-se, porém, que o impacto de tais mudanças não foi inteiramente positivo, resultando, por exemplo, na exclusão digital e no surgimento dos cibercrimes. No entanto, um dos piores males de tais tecnologias pode ser, também, uma de suas maiores vantagens: a rapidez na obtenção de informações, que, mesmo compartilhadas por centenas de pessoas, podem causar um efeito contrário ao esperado pelos usuário.
É necessário ressaltar, em primeiro plano, que apesar de nem todo conteúdo no meio digital ser legítimo, muitas vezes uma determinada informação é sim veraz, mas acaba sendo interpretada errada ou aplicada num contexto diferente do original. Tal cenário ocorre, por exemplo, quando um internauta procura, em mecanismos de busca online, soluções para mal-estares comuns, como dor de cabeça ou fadiga. Porém, em meio a essa busca, ele acaba por erroneamente assumir que sofrem de certa doença, já que sente sintomas parecidos com os de tal mal; ignorando outros fatores crucias durante uma avaliação médica. Diante disso, uma pessoa pode, por exemplo, assumir ter o vírus da Covid-19 por conta de um único espirro, mesmo que esteja em um ambiente com muita poeira no ar.
Em decorrência disso, torna-se necessário reconhecer a gravidade de tais casos, que podem ter consequências piores do que um eventual equívoco, especialmente quando a automedicação está envolvida. Isso porque, ao deduzir erroneamente que é portadora de determinada doença, se a pessoa começar a se automedicar, ela poderá sofrer reações negativas, por não saber o real estado de seu organismo e/ou como aplicar corretamente o tratamento em questão. A situação se torna ainda mais grave se levado em conta dados divulgados pelo Instituto da Ciência, Tecnologia e Qualidade em uma pesquisa de 2019, onde foi constatado que, dentre um grupo populacional maior de 16 anos de idade, mais de 3/4 dos brasileiros já realizaram a automedicação. Seria um erro, contudo, assumir que tais indivíduos não sofrem de nenhum mal, já que, em muitos casos, eles apresentam a cibercondria: doença onde o paciente adquiri um quadro hipocondríaco por sempre acreditar em informações online.
Diante do exposto, torna-se evidente que, para combater a cibercondria e a automedicação no Brasil, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, as Escolas devem conscientizar os alunos, por meio de palestras e debates, sobre os malefícios da automedicação, a fim de incentivar diminuir a adoção desse hábito pela futuras geração. Ademais, o Ministério das Comunicações deve promover maior fiscalização concernente à proliferação de noticias falsas online, notadamente as relacionadas à saúde.