Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 19/08/2020
“Se continuarmos desenvolvendo nossa tecnologia sem sabedoria ou prudência, nosso servo pode acabar se tornando nosso carrasco”. A frase de Omar Bradley, general do exército dos Estados Unidos, deixa evidente o quanto a tecnologia pode afetar a vida dos seres humanos. Nesse sentido, vale ressaltar que as inovações tecnológicas são de muita serventia para a humanidade. Entretanto, podem acabar causando prejuízos se indevidamente utilizadas. Tal fato evidencia-se em um grande problema causado pelo uso indevido da internet: a cibercondria. Ela pode ser entendida como a compulsão por pesquisar na internet informações sobre os sintomas que alguém vem sentindo, causando diagnósticos pessimistas. Alguns dos perigos da cibercondria são: a indevida automedicação, além da ineficiência estatal em se tratando da flexibilização do acesso aos sistemas de saúde.
Primeiramente, é importante ressaltar que uma das grandes adversidades causadas pela cibercondria é a indevida automedicação pelas pessoas que pesquisam sintomas que as preocupam na internet. Isso se deve ao fato de que se automedicar, na maioria das vezes, é mais fácil que ir a um médico. Tal costume faz com que a cultura da automedicação seja cada vez mais praticada pela população, diminuindo as chances de as reais doenças serem tratadas corretamente. Segundo uma pesquisa feita pelo IQCT (Instituto de Pós-graduação para Profissionais do Mercado Farmacêutico) em 2018, 8 em cada 10 brasileiros com mais de 16 anos tomam remédio por conta própria. Tal ato causa riscos à saúde da população, sendo, pois, um entrave que deve ser solucionado.
Além da automedicação indevida, outro fator que corrobora para a persistência dessa problemática é a falta de acesso adequado a sistemas de saúde para a população, que por não conseguir auxílio médico e correto para tratar de suas enfermidades, acaba por pesquisar na internet como tratar suas doenças. Isso acaba por gerar um ciclo vicioso, desencadeando e aumentando gradativamente a cibercondria. De acordo com uma pesquisa feita pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), 69,7% da população brasileira não apresenta plano de saúde particular, o que exclui boa parte dela de se ter um estado de saúde digno.
Diante dos fatores apresentados, é imprescindível que essa problemática tenha um fim. Para isso, o Ministério da Saúde, em parceria com algum canal televisivo influente, deve organizar semanalmente programas exibidos por meio da televisão, que apresentem quadros que possam aconselhar a população a procurar um médico assim que sentirem algo, para que haja uma diminuição da cibercondria na população. A partir dessas ações, espera-se a diminuição da doença da era digital: a cibercondria.