Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 10/08/2020
Ao fim da Guerra Fria, ocorreu o advento da revolução técnico-informacional, que proporcionou à todos a facilidade de acesso e variedade de informações disponíveis. Toda via, hodiernamente observa-se uma tendência crescente de pessoas que usam plataformas de pesquisa na internet para sanar dúvidas e a realizar um auto diagnóstico, podendo chegar a um diagnóstico incorreto e colocar em risco sua saúde. Essa prática caracteriza-se como Cibercondria. Logo, é de fundamental importância discutir a problemática e buscar meios de tratar essa doença da era digital.
Procurar informações na Internet é um valioso recurso e que nos auxilia em vários aspectos, esclarecendo dúvidas sobre diversos assuntos. No entanto, quando se trata de doença, mais precisamente de autodiagnóstico, é preciso ter cuidado.
Essa prática pode se tornar um vício uma vez que obter um diagnóstico em cinco minutos em uma pesquisa no Google fica muito mais cômodo do que marcar uma consulta e ir ao médico e passar por uma avaliação completa. Assim, o indivíduo começa a achar que sempre está doente, desenvolvendo o quadro de hipocondria.
De acordo com pesquisas feitas pelo Instituto de Ciência Tecnologia e qualidade (ITQ), a automedicação com a ajuda da internet é praticada por 76,4% dos brasileiros. Fato preocupante, visto que, sem uma orientação adequada de um profissional, faz com que a pessoa tire conclusões precipitadas e errôneas. A probabilidade da pessoa obter um diagnóstico errado do seu problema é alto, e consequentemente se medica de maneira incorreta. Os riscos da automedicação são altos, podendo gerar doenças ou agravá-las. Por exemplo, pessoas com ansiedade procuram respostas para seus sintomas online, o que pode elevar seus níveis de estresse e acarretar em problemas como depressão e ataques de pânico devido às conclusões encontradas.
Levando-se em consideração os aspectos expostos, faz-se evidente que medidas sejam tomadas. É de suma importância a intervenção governamental em conjunto com os Ministérios da Saúde e da Educação nas escolas, promovendo debates e palestras, levando os conhecimentos dos perigos de se automedicarem. Ademais, a Mídia, juntamente com o Ministério da Saúde, deve promover campanhas para também levar conhecimento a toda população sobre essa questão. A Organização Mundial da Saúde (OMS), deveria investir em tecnologias, desenvolver uma plataforma para que os médicos consigam atender uma maior demanda de pacientes via internet, facilitando o acesso de todos a saúde e, quando houver situações mais graves, o próprio médico pode encaminhar o paciente ao hospital para receber o seu atendimento e realizar exames. Assim, reduzirá as buscas perigosas na web.