Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 13/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cibercondria (busca excessiva por esclarecimento acerca de uma patologia ou uma possível patologia feita na internet) torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nesse cenário, seja pela falta de hospitais e de profissionais nos postos de saúde, seja pela ausência de palestras que visem explicar as consequências da automedicação, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Nessa perspectiva, vale ressaltar que um dos principais males é a falta de hospitais e de profissionais especializados nos postos de saúde, que faz com que as pessoas acabem optando pela busca da sua “doença” na internet e, se automedicando. Isso ocorre devido, a sociedade não ter o suporte adequado, não sendo possível para todos ter o acesso e a possibilidade de uma saúde de qualidade. Nesse segmento, segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de forma que o equilíbrio seja obtido em sociedade. No entanto, dados do G1 mostram que mais de 60% dos hospitais brasileiros estão sempre superlotados, sem leitos e faltando médicos.
Ressalta-se, ademais, que a ausência de palestras que visam explicar as consequências da automedicação influenciam na ocorrência da cibercondria. Haja vista que, segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, repleta de generalidade, exterioridade e coercitividade. Nesse sentido, dados do Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade, a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros. Tendo consequências que podem levar á superdosagem, à alergias, à resistência de patógenos, superlotação da rede pública de saúde e, até mesmo, ao óbito. E, realizam tal prática por influência da internet e dos familiares. Sendo assim, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do ministério da saúde- órgão responsável pelas politicas voltadas para a promoção, a prevenção e a assistência à saúde dos brasileiros, por meio de propaganda e informes publicitários, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade do assunto com o intuito de esclarecer e orientar a população sobre essa doença. Além disso, o governo deveria aumentar o rigor da lei quanto à compra de remédios, para dificultar o acesso, sem receita, destes em farmácias. Só assim, o problema da hipocondria digital será amenizado.