Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 11/08/2020

Sócrates, um dos mais importantes nomes da filosofia ocidental, é atribuído a uma famosa frase “só sei que nada sei”. Essa é uma sabedoria que, conforme o avanço da internet e com descuido, acaba por ser deixada de lado, e a troca do pensamento de Sócrates pela confiança em informações online traz consequências, tais como intensificação de hipocondríacos e a agravação da cibercondria, que acarreta riscos a saúde do individuo por conta de aspectos como a auto medicação e ansiedade, que são comuns a uma pessoa hipocondríaca. Discutir essa temática e encontrar soluções é essencial.

Um obstáculo no combate da cibercondria são as fontes das informações. Na atualidade é comum as fake news prejudicarem o discernimento de pessoas que procuram sobre alguma coisa com a qual não tem entendimento, influenciando decisões e pensamentos importantes acerca de algo e possivelmente atrapalhando o alcance de uma vida saudável, física e mentalmente. Tendo isso em mente, essas noticias enganosas são um claro desserviço à população, já que provoca medo e ansiedade sobre um agrume não existente. Assim contribuindo não só com a cibercondria se tratando de enfermidades.

Mas não foi a internet que iniciou isso, a cibercondria é apenas a evolução da hipocondria amplificada pelas ferramentas digitais. Preocupação irracional em estar ou vir a estar com uma doença grave, esse é o conceito de hipocondria, que existe desde antes do desenvolvimento da internet que veio a acentuar o problema presentando maior facilidade para encontrar diagnósticos, dispensando o o tempo que se levaria para ir em um profissional, e induzindo a automedicação. A postergação em se consultar com um médico seguido da automedicação, seja por conta da piora dos sintomas ou pelos efeitos dos remédios tomados, tem maiores chances de trazer problemas que benefícios, já que um leigo dificilmente irá acertar o diagnostico com base em sites da internet tendo apenas seus próprios sintomas como referencial. De um modo ou de outro a falta de acompanhamento médico pode causar sequelas irreversíveis, tornando a crença infundada no achismo de que algo encontrado online está correto vir a ser considerado doença.

Sendo a cibercondria difundida online, a melhor forma de combatê-la é agindo nos mesmos meios. Atitudes como manter uma informação segura no topo das paginas de pesquisa é bem importante considerando que são mais visitadas. O desenvolvimento de um site de saúde pública criado de fato por hospitais e sistemas de identificação e denuncia de fake news também são essenciais para diminuir a disseminação de informações erradas. E outra medida fundamental é adicionar avisos sobre os perigos da cibercondria quando assuntos relacionados à saúde forem pesquisados, recomendando ir a médicos e psicólogos. Com isso a doença da era digital vai acabar virando pre-histórica.