Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 13/08/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso dos indivíduos com a própria saúde torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelo acesso livre às informações, seja pela morosidade do Sistema Público de Saúde, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A princípio, vale destacar que um dos principais males que alimenta essa doença é o livre acesso às informações. Isso ocorre, pois as pessoas não sabem usufruir deste privilégio, e preferem se auto consultar através de pesquisas, dispensando o atendimento médico, que é fundamental. Entretanto, a internet é um local vasto, e com muitas informações, por isso, se não bem usada pode ocasionar problemas, já que o indivíduo tenta tratar a si mesmo, se automedicar, sem ter a certeza de que aquele é realmente o seu problema.
Paralelo a isso, existe a demora no atendimento através do Sistema Público de Saúde. Segundo uma pesquisa feita pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS), referentes a 2019, o tempo médio para um paciente ser atendido na rede pública é de 493 dias, ou seja mais de um ano e quatro meses. E, por isso, as pessoas procuram maneiras mais rápidas para resolverem seus problemas, visto que nem todos os indivíduos possuem paciência para aguardar tanto tempo.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Ministério da Saúde - órgão responsável pelas políticas públicas voltadas para a promoção, a prevenção e a assistência à saúde dos brasileiros - promover campanhas de conscientização acerca da cibercondria, por meio de propaganda e informes publicitários, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade do assunto com o intuito de esclarecer e orientar a população sobre essa doença. Só assim, o problema da hipocondria digital será amenizado.